Sumiço de garoto após operação da PM do Rio é investigada

Menino de 11 anos foi visto pela última vez ao ser ferido por bala perdida em tiroteio entre policiais e bandidos

, O Estado de S.Paulo

25 de junho de 2011 | 00h00

A Polícia Militar do Rio de Janeiro abriu sindicância para apurar o desaparecimento de uma criança de 11 anos em uma operação ocorrida em Nova Iguaçu, na Baixada Fluminense, na segunda-feira. Testemunhas contaram ter visto o menino Juan Moraes ferido por bala perdida. A criança, no entanto, não foi levada para nenhum hospital e não foi mais visto. O irmão dele, Wesley, de 14 anos, também ferido no confronto, está internado com proteção da Polícia Civil.

De acordo com a PM, os dados do GPS do carro do Grupo de Ação Tática (GAT), em que estavam quatro policiais, serão confrontados com o depoimento desses policiais, que negaram ter visto Juan ferido. O equipamento vai informar se os policiais realmente fizeram o trajeto declarado por eles ou se pegaram algum desvio.

A Comissão de Direitos Humanos da Assembleia Legislativa está acompanhando as investigações sobre o desaparecimento do estudante. O presidente da comissão, deputado Marcelo Freixo (PSOL), esteve ontem no Hospital de Saracuruna, em Duque de Caxias, onde Wesley está internado, recuperando-se de ferimento por tiro no ombro e na perna.

Lá, ele soube que outra vítima do tiroteio estava internada, Vanderson dos Santos de Assis, de 19 anos. O rapaz contou que caminhava ao lado dos irmãos Juan e Wesley quando teve início a troca de tiros. Ele viu o momento em que Juan foi baleado. Wesley também conta que notou que o irmão estava ferido. Assis, que não tem antecedentes criminais, está internado sob custódia, por suspeita de envolvimento com o tráfico de drogas.

Proteção. Freixo defendeu a apuração da participação dos policiais no desaparecimento de Juan. "As evidências apontam para uma atuação da Polícia Militar", afirmou. A mãe dos meninos, Rosineia de Moraes, passou a noite no hospital, ao lado de Wesley. "Cada dia que passa a esperança é menor". Wesley está sob proteção da Coordenadoria de Recursos Especiais (Core), da Polícia Civil, a pedido da Comissão de Direitos Humanos da Assembleia Legislativa.

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