Subsolo de SP guarda história da 2ª Guerra

Cidade construiu abrigos antiaéreos em meio ao clima do conflito; reformas revelaram espaços

FABIANO NUNES , JORNAL DA TARDE, O Estado de S.Paulo

25 de setembro de 2011 | 03h01

Mesmo sem ameaça real de um bombardeio, São Paulo ainda preserva abrigos antiaéreos em seu subsolo. Foi durante a reforma de prédios que houve essa redescoberta histórica e hoje esses espaços são ocupados com outras funções.

Há várias teorias de como os bunkers, no termo em inglês, foram construídos. Uma das hipóteses defendidas por historiadores é a de que muitos deles foram feitos durante a 2.ª Guerra.

A primeira missão brasileira chegou à Itália no fim de 1943. "São Paulo não corria risco iminente de ser bombardeada. Mas o governo, na época, distribuiu manuais de defesa antiaérea. A população era informada sobre como deveria agir no caso de um ataque", explicou o professor de História da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP) Cesar Campiani Maximiano.

O Decreto 12.628, de 1943, determinava que prédios construídos a partir de agosto daquele ano deveriam ter abrigos antibombas. A paranoia tomou conta da cidade e muitos aderiram.

Na Rua Alfredo Pujol, onde hoje funciona uma das franquias da Pizzaria Babbo Giovanni, em Santana, zona norte, o abrigo antiaéreo foi descoberto durante reforma, em 2004 - e transformado em adega. "Um dos engenheiros achou uma parede falsa e chegamos até essa parte do abrigo", disse o comerciante Fernando Rossetto, dono da pizzaria. O prédio foi construído na frente de uma unidade do Exército.

Mesmo depois do fim da guerra, em 1945, os abrigos continuaram a ser erguidos. É o caso do prédio onde hoje funciona o Hotel Bourbon, do lado da Praça da República, na região central. O edifício foi erguido na década de 1950 pela condessa italiana Leonor de Camillis Spezzacalena, que chegou ao Brasil após o fim do conflito. Durante a construção do prédio, a condessa teria exigido que o abrigo fosse projetado - ela estaria traumatizada com os ataques sofridos por seu país. Hoje, o local abriga uma academia de ginástica e uma sauna.

O Estado de São Paulo sofreu bombardeios em dois períodos: na Revolta Paulista de 1924 e na Revolução Constitucionalista de 1932. Mas nem todos os registros são confirmados. "Na 2.ª Guerra havia ainda uma proposta de construção de abrigos públicos, mas isso nunca foi comprovado", disse o historiador Roney Cytrynowicz, autor do livro Guerra Sem Guerra.

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