Subprefeitura barra carruagem no Rio Pinheiros

Artista diz que tinha autorização para colocar réplica de veículo do século 19 na Ponte Octavio Frias de Oliveira, mas fiscais negam

EDISON VEIGA, JULIANA DEODORO, O Estado de S.Paulo

04 de setembro de 2012 | 03h05

Uma queda de braço entre o artista plástico paulistano Eduardo Srur, conhecido por polêmicas intervenções urbanas, e a Subprefeitura de Pinheiros, na zona oeste, pode impossibilitar a instalação de uma nova obra. Na tarde de ontem, Srur e sua equipe colocavam uma réplica de uma carruagem do século 19 na Ponte Octavio Frias de Oliveira, no Rio Pinheiros, quando fiscais apreenderam o material.

"É um absurdo. Estão censurando o meu trabalho, que é uma crítica à mobilidade urbana atual. Tenho todas as autorizações desde o ano passado", disse o artista, que afirma ter avais da Secretaria Municipal de Cultura, da Companhia Paulista de Trens Metropolitanos (CPTM), da Empresa Municipal de Águas e Energia (Emae) e da Comissão de Proteção da Paisagem Urbana (CPPU). Na tarde de ontem, Srur se reuniu com autoridades municipais para tentar resolver o imbróglio, mas não houve desfecho e nova reunião deve ocorrer na manhã de hoje.

Em nota, a Subprefeitura de Pinheiros informou que solicitou documentação necessária para autorização do evento e não recebeu as autorizações da Secretaria Municipal de Infraestrutura Urbana e Obras (Siurb) e da CPPU. "Por não ter autorização para o procedimento nesta data, esclarecemos que uma equipe de fiscalização desta subprefeitura segue para o local para que seja efetuada a autuação e apreensão dos objetos citados", explica a nota.

De acordo com a arquiteta Guiomar Leitão, que presta consultoria para a empresa de Srur, tudo não passa de um mal-entendido. "Certamente esses documentos estão em trânsito", comentou, confiante de que tudo será resolvido hoje.

Srur garante que, se conseguir reaver o material apreendido até o meio-dia de hoje, tem capacidade técnica para restaurar tudo a tempo para que a exposição comece amanhã. "Apesar de eles terem avariado a peça escultórica, manuseando-a sem o cuidado necessário."

A obra. A ideia de Srur era mostrar que, na prática, os cavalos andariam mais rápido do que os carros no trânsito paulistano. Na quinta-feira, ele promoveria uma corrida entre uma carruagem puxada por um cavalo e um carro, na hora do rush.

A carruagem, réplica de um modelo do início do século 19, circularia pela ciclovia do Rio Pinheiros, ao lado da Linha 9-Esmeralda da CPTM - ou seja, teria caminho livre à frente. Puxada por cavalos, poderia atingir 18 km/h.

Já o carro, conduzido por um piloto profissional, teria de enfrentar as agruras do trânsito na Marginal. A largada estava prevista para acontecer na altura da Estação Granja Julieta e a chegada seria na Ponte Octavio Frias de Oliveira.

O evento deveria ser o ponto alto de uma exposição que estava planejada para começar amanhã e seguir até 7 de outubro. O artista instalaria uma réplica de carruagem dos tempos do Império a 30 metros do chão, sobre o concreto aparente da ponte. Os trabalhos de instalação da peça, ontem, foram interrompidos pelos fiscais da subprefeitura.

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