Andre Lessa/AE
Andre Lessa/AE

Submersa, Franco da Rocha enfrenta saques

Água começa a baixar na cidade, mas problemas de moradores e comerciantes continuam. Agora com saqueadores

Renato Machado, O Estado de S.Paulo

14 Janeiro 2011 | 00h00

Começaram a aparecer na tarde de ontem algumas partes de Franco da Rocha, a cidade da Grande São Paulo que está submersa desde quarta-feira, quando comportas de uma das quatro represas do Sistema Cantareira foram abertas por medida de segurança. E, além dos tradicionais prejuízos com a enchente, moradores encontraram marcas de pé de cabra nas portas, o que indica tentativas de saque. Por isso, já preparam formas de se defender.

As lojas que foram alvo dos vândalos ficam na Avenida Liberdade, centro comercial da cidade. A via ficou totalmente alagada e deserta: a sede da prefeitura e a delegacia ficaram debaixo d" água. "Vi a porta com marca de pé de cabra quando cheguei e depois me contaram que um grupo tentou roubar as lojas. Só não conseguiram porque um guarda viu e gritou", diz o empresário Róbson Resende, de 31 anos, dono de uma loja de equipamentos hospitalares. Também tiveram as portas danificadas uma ótica, um restaurante, uma loja de ervas naturais e uma papelaria.

Para evitar novas investidas, Resende retirou os equipamentos de valor da loja e contratou seguranças, em sociedade com a dona de uma papelaria - cada um paga R$ 70 por dia. "Vamos ficar em quatro aqui de madrugada: os dois seguranças, eu e outro proprietário", disse.

O mecatrônico Aparecido da Cruz, de 56, é o único morador da Avenida Liberdade que permaneceu em casa após o alagamento. "Meus vizinhos são um casal de idosos e os filhos os tiraram daqui. Como ficamos sabendo que eles tentaram nas lojas, não saí para não roubarem."

O delegado seccional de Franco da Rocha, Carlos Targino da Silva, disse que ainda não tomou conhecimento desses casos, pois a delegacia seccional e o distrito policial foram atingidos pelos alagamentos. "Não houve registros formais, até porque estamos operando em uma base que montamos, mas os boletins de ocorrência precisam ser registrados em outros municípios, porque estamos sem sistema."

Apesar da melhora, parte da região central de Franco da Rocha permanecia debaixo d"água. A área onde estão a prefeitura, a câmara e as escolas parecia um mar de água suja, onde crianças nadavam.

A Defesa Civil Municipal estima que a água leve pelo menos mais um dia para baixar, se não houver chuva. "A previsão é de chuva forte, mas tomara que não caia aqui", diz o coordenador, Donizete Bernardo Antonio.

Responsável pela represa, a Sabesp reduziu ontem de manhã a vazão de água de 20 m³/s para 10 m³/s. Às 16h, diminuiu para 5 m³/s. À noite, o nível da represa havia baixado para 67,9% - nos momentos críticos, chegou a 96%. "Vamos diminuir gradativamente se as condições climáticas não piorarem", disse o superintendente de produção de água da Sabesp, Helio Castro.

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