SPTrans reembolsa R$ 124 mi em cartões perdidos ou furtados

Restituição dos créditos é feita após comunicação para o 156; valores perdidos antes disso não são devolvidos

RAFAEL ITALIANI , O Estado de S.Paulo

18 de maio de 2014 | 02h01

No ano passado, a São Paulo Transporte (SPTrans), da Prefeitura, precisou reembolsar R$ 123,9 milhões em créditos de Bilhete Único para passageiros que perderam ou tiveram os cartões furtados, segundo dados obtidos pela Lei de Acesso à Informação. O aumento em relação a 2012, quando a restituição chegou a R$ 100,8 milhões, foi de 22,9%. Naquele ano, foram 639 mil cartões com algum tipo de problema passível de reembolso (aumento de 8,8%).

De acordo com a SPTrans, o valor das restituições de crédito não causa prejuízo aos cofres públicos. Segundo Adauto Farias, diretor financeiro da empresa municipal, os passageiros restituídos pagam uma taxa equivalente a sete tarifas, ou R$ 21, para ter de volta o bilhete carregado com os créditos que foram perdidos.

"Esse dinheiro entra como uma receita da SPTrans usada no próprio sistema do Bilhete Único", afirma Farias.

Ele explicou que o aumento no valor do reembolso e na quantidade de cartões, na comparação entre 2012 e 2013, ocorreu pelo aumento da quantidade de bilhetes em circulação. Segundo ele, em 2012 a SPTrans registrou 21,8 milhões de cartões em circulação e, no ano seguinte, o número saltou para 25,1 milhões.

Ao perder o cartão carregado, os passageiros precisam ligar imediatamente para o 156 da Prefeitura. "A partir do momento em que é feita a notificação, a SPTrans leva pelo menos 48 horas para avisar o sistema de que o cartão perdido está bloqueado", explica Adauto.

Após comunicar a SPTrans, o tempo médio de espera para recuperar o cartão nos postos de atendimento da SPTrans é de três dias. A SPTrans devolve os créditos que estavam no bilhete com base na ligação para o 156. O órgão não restitui as tarifas anteriores à notificação, mesmo que o bilhete tenha sido furtado e outra pessoa tenha usado os créditos.

A maioria dos casos de reembolso, ainda de acordo com Farias, é referente aos passageiros que são atendidos pelo Vale Transporte ou pelo Bilhete de Estudante e estão cadastrados na SPTrans.

"Como eles têm muitos créditos acumulados no cartão, vale a pena pagar as sete tarifas para conseguir a segunda via", afirmou. Os bilhetes que são comprados nos pontos de atendimento da SPTrans não são cadastrados e, para obter esse cartão, é necessário pagar R$ 15 - os créditos ficam depositados para serem usados no sistema de transportes.

Mesmo assim, esses passageiros têm direito ao reembolso, caso percam o cartão. Para conseguir a restituição, o diretor financeiro da empresa municipal alerta que os passageiros precisam guardar os comprovantes de recarga - que contêm o número do Bilhete Único.

Novos. O número de bilhetes novos, que podem ser carregados tanto com crédito comum, de estudante, vale transporte, mensal e semanal, chegou a 350 mil. Para ter esse bilhete, o passageiro precisa cadastrar-se no site da SPTrans, incluir uma foto, escolher o ponto de atendimento para a retirada e aguardar a resposta da Prefeitura.

"No cartão novo, chegamos a 700 mil viagens por dia. Tem bastante estudante, mas também há uso geral, porque os passageiros estão migrando e usam outras formas de cobrança", afirmou Faria.

Ainda de acordo com o diretor da SPTrans, das 13 milhões de viagens diárias com o Bilhete Único, tanto nos ônibus quanto no transporte sobre trilhos, 140 mil são no modo mensal.

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