Daniel Teixeira/Estadão - 23/10/2020
Daniel Teixeira/Estadão - 23/10/2020

SPTrans propõe aumento da tarifa de ônibus para até R$ 5,10 em São Paulo

Prefeitura de São Paulo diz que dados apresentados serão analisados para 'posterior tomada de decisão'

Priscila Mengue, O Estado de S.Paulo

22 de dezembro de 2021 | 12h41
Atualizado 22 de dezembro de 2021 | 16h58

A São Paulo Transporte (SPTrans) apresentou uma proposta nesta quarta-feira, 22, de aumento do valor da passagem de ônibus na capital paulista de R$ 4,40 para até R$ 5,10. O reajuste foi defendido em reunião, mas ainda precisa ser acatado pelo prefeito Ricardo Nunes (MDB).

Em nota, a Prefeitura afirmou que os dados apresentados na reunião extraordinária do Conselho Municipal de Trânsito e Transporte "serão encaminhados ao gabinete do prefeito". Ele "analisará os números em conjunto com as secretarias de Governo e da Fazenda, para posterior tomada de decisão". 

O aumento foi calculado com base na inflação (IPCA) para os últimos 24 meses, o que resulta em um valor de R$ 5,08, que poderia ser arredondado para mais ou menos. A empresa, controlada pela Prefeitura, afirmou que o custo total por passageiro é de R$ 8,71, divididos entre R$ 7,96 para operação (frota, mão de obra, combustível e outros) e R$ 0,74 em infraestrutura (terminais de ônibus, por exemplo). 

Se o reajuste para R$ 5,10 se confirmar, uma pessoa que faz 22 viagens mensais de ida e volta gastará R$ 224,40. O valor representa 18,5% do salário mínimo discutido para o ano que vem (de R$ 1.210).

O último reajuste da tarifa foi em janeiro de 2020, quando passou de R$ 4,30 para R$ 4,40. No ano seguinte, não houve aumento, porém foi determinado o fim da gratuidade para idosos de 60 a 64 anos. Como noticiou o Estadão, a Prefeitura pagou R$ 869,6 milhões às empresas de transporte coletivo para compensar uma parte da frota de ônibus paralisada por causa da pandemia de coronavírus ao longo de 18 meses, entre março de 2020 e agosto deste ano. 

O reajuste foi criticado por parte dos integrantes do CMTT. "A proposta de aumento não se justifica, porque, como a gente apontou na reunião: a Prefeitura já criou uma remuneração especial para a pandemia que chegou na casa dos R$ 870 milhões. E, como eles alegaram que a cada R$ 0,10 da tarifa é R$ 104 milhões no custo, os R$ 870 milhões são superiores ao aumento dos R$ 0,70 e cobririam o aumento de tarifa”, destacou o conselheiro Rafael Calabria, do Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor (Idec).

Também conselheiro e doutor em Urbanismo, Mauro Calliari argumenta que a discussão do reajuste deve considerar outras variáveis além da inflação, como o provável aumento de passageiros no próximo ano (com o enfraquecimento da pandemia) e a desigualdade social crescente na cidade. “Quantas pessoas estão deixando de pegar (ônibus) por causa do preço, da dificuldade nas integrações (de modos de transporte, como Metrô), que estão mais caras?”

Em entrevista à Rádio Eldorado, do Grupo Estado, Nunes chegou a declarar em novembro que o não reajuste na tarifa seria “praticamente impossível” diante do aumento dos combustíveis. Ele e outros prefeitos chegaram a procurar o governo federal para pleitear subsídios a fim de não impactar no preço da passagem. Em reunião da Frente Nacional de Prefeitos (FNP), gestores municipais assinaram uma carta na qual afirmam que o transporte coletivo é subfinanciado no Brasil e que as cidades estão diante de um “iminente colapso”.

A decisão final sobre reajuste costuma envolver também o Estado, pois geralmente há uma padronização com o valor da passagem do Metrô e da CPTM. Procurada, a assessoria da Secretaria de Transportes Metropolitanos disse que não há novidades e que a imprensa será informada se houver qualquer mudança no tarifário. Não há, portanto, informações até o momento sobre o novo valor da passagem de integração. O próximo ano tem eleição estadual e, historicamente, os governantes preferem não reajustar o preço da tarifa do transporte público para evitar críticas da população. 

SPTrans estima aumento de 44% no volume de passageiros para 2022

Com a flexibilização das medidas de contenção da pandemia e avanço da vacinação contra a covid-19, o número de passageiros tem aumentado. A projeção da SPTrans é um crescimento de 44% no próximo ano, chegando a 7,4 milhões de pessoas transportadas por dia, acima da média de 5,1 milhões de 2021 e 2020. A estimativa é, entretanto, ainda menor do que o volume anterior à pandemia, que era de 8,8 milhões diariamente, segundo dados apresentados na reunião.

Segundo a SPTrans, o número de veículos operacionais disponibilizados diminuiu na pandemia. Ao todo, foram 11,6 mil em novembro, com média de 611 passageiros por ônibus diariamente, ante os 12,8 mil veículos do período anterior a março de 2020. Na apresentação, a empresa ainda argumentou que o custo real por passageiro é de R$ 8,71, dos quais R$ 7,96 são de operação (mão de obra, combustível etc) e R$ 9,74 de infraestrutura (terminais, por exemplo). O subsídio à tarifa pago pela Prefeitura em 2021 é estimado em R$ 3,3 milhões.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.