SPFW: 1º dia 'esquenta' só no fim

Desfile da Cia. Marítima teve microbiquínis e a modelo Esti Ginzburg, atiradora do exército israelense

, O Estado de S.Paulo

10 de junho de 2010 | 00h00

 

 

 

Demorou. Foi só no último desfile do dia, o da Cia. Marítima, que a temperatura da São Paulo Fashion Week subiu. A grife levou à passarela um batalhão de modelos famosas. Uma delas vinda de Israel, Esti Ginzburg, de 20 anos. Atiradora do exército de seu país, ela também trabalha como atriz. Entrou no fim e foi a atração ontem na Bienal. Estrela da campanha da marca, passou o dia dando entrevistas.

Pouco antes do desfile, já estava meio cansada. "Ah, você não vai me perguntar sobre o exército? Falei disso todo o tempo. Quero falar do meu cachorro; morro de saudade", disse a loira, muito nervosa com sua estreia no Brasil. "É assustador encarar tanta gente."  

 

 

Na leva internacional havia ainda na passarela outros nomes, como Paulina Wika, da Polônia, Malena de Palma, de Maiorca, Anouk e Christa Verboom, da Holanda, e Petra Kuklova, de Praga. Isso sem contar beldades brasileiras, como Izabel Goulart, Renata Kuerten e Isabeli Fontana. A maioria, é claro, vestindo microbiquínis.

Na passarela, a inspiração veio do Marrocos. A coleção mostrou muito bordado, pedrarias e estampas tie-dye (um manchado meio hippie). E uma novidade: top cortininha com bojo interno. No final, uma das modelos tropeçou e caiu.

 

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Reserva

 

Quem foi ao camarim pôde conferir o que na passarela não foi possível ver. A grife carioca Reserva colocou zíperes em bermudas e jaquetas. O recurso permite que mangas e golas, por exemplo, sejam trocadas de lugar. Como cada pedaço da roupa é de uma cor, o consumidor escolhe como será a composição da peça. A marca ainda fez blazers com material inusitado, o neoprene.

 

Sapatos

 

Os sapatos fizeram a diferença no primeiro dia de desfiles. A impressão é que a meia pata (plataforma na parte da frente do solado) deu um tempo. Surgiram novos tipos de saltos, como o anabela, sucesso do início dos 2000. Só que, além de alto, aparece transparente. O salto de acrílico já desfilou nas passarelas internacionais há mais de um ano. Chegou aqui agora. Outro destaque é a releitura da gladiadora, bem mais leve.

 

Desfiles de hoje:

 

Iodice: 12h30;

Ellus: 15h;

Água de Coco, por Liana;

Thomaz: 17h;

Alexandre Herchcovitch(coleção feminina): 18h;

Cori: 19h;

Osklen: 20h.

COMO FAZER UMA COLEÇÃO

1. A ideia. Eu e minha equipe sempre pensamos em uma coleção que ressalte o corpo da mulher, mas que seja funcional. Para a minha primeira coleção de verão da Rosa Chá, surgiu o tema da dança de salão, em que é preciso ter conforto e liberdade de movimento, e, ao mesmo tempo, fluidez e feminilidade.  

 

 

2. Conceito. Fazer moda praia não é fácil, mas é um desafio muito bom. Tenho de pensar no que a mulher quer revelar e esconder. Se passar um pouco do ponto e mostrar demais, ela vai se sentir desconfortável. Se mostrar de menos, vai achar que está escondendo demais. É uma linha delicada que separa este equilíbrio. E, como sou de São Paulo, penso em uma praia para quem vive em uma metrópole. Há looks "para ir à praia" e outros com que se pode ir a uma festa. Acho esta fusão inteligente e interessante.

3. Forma. Depois do tema e do conceito bem definidos, é preciso pensar em como literalmente costurar e dar forma à ideia. No caso da dança de salão, por exemplo, há uma estrutura do figurino, o maiô, que é justa e funcional. E há outra que, ao mesmo tempo, é fluida e cheia de volume - a saia. Neste caso, para a estrutura rígida que sustenta esses maiôs, uso a mesma técnica do sutiã. Já para as saias e volumes, uso o georgette de seda e as estampas mais "verão", como o tinhorão e as aves tropicais.

4. Croquis. Antes de passar para a etapa de costura das peças, desenhamos tudo. Não só porque o desenho é bacana, mas porque é o guia das modelistas e costureiras. Não é um pedaço de pano que vira uma roupa. O croqui serve de guia para quem fará essa peça. Uso a técnica mista entre moulage (em que se molda a peça no próprio corpo) e "planta baixa" da alfaiataria. Isso permite ir adaptando o conceito do papel às formas reais da mulher.

5. Na passarela. Nunca tratamos o desfile como algo à parte da coleção. Então, só pensamos na passarela depois de pensar as peças. Em geral, tudo o que a Rosa Chá desfila estará nas lojas. Há algumas peças mais conceituais que não vão para as lojas. Mas, no geral, editamos o desfile de uma forma até didática, em que é possível enxergar a forma como pensamos a coleção. Da sustentação das peças, como o maiô, ao volume das saias, tudo é revelado. De 15 a 10 dias antes do desfile, ainda há dúvida sobre as peças que mostraremos na SPFW e, aos poucos, vamos decidindo. É importante que o desfile seja uma síntese do conceito que criamos durante o processo todo. / FLAVIA GUERRA

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