Nelson Fontaine/Fotoarena
Nelson Fontaine/Fotoarena

SP volta a registrar protesto violento

Ato das centrais sindicais com 1,5 mil pessoas na Av. Paulista não teve tumulto, mas Black Blocks danificaram sede da TV Globo

Bruno Deiro e Diego Zanchetta,

30 de agosto de 2013 | 23h52

As divisões vistas nos protestos de rua desde junho - "com" e "sem violência" - voltaram a ser notadas nas manifestações realizadas nesta sexta-feira em São Paulo. Dois atos, com cerca de 1,5 mil pessoas, fecharam a Avenida Paulista das 15h às 18h, sem tumulto. Os líderes, ligados a centrais sindicais, fizeram questão ainda de condenar ações de grupos anarquistas, como os Black Blocs. Já 200 mascarados foram suficientes para realizar, à noite, atos de vandalismo.

Os Black Blocs organizaram um protesto na frente da TV Globo, na zona sul de São Paulo, contra a emissora e o que chamaram de "monopólio dos meios de comunicação". Às 20h, bloquearam a pista da Marginal do Pinheiros no sentido Imigrantes - só liberada às 21h.

Muitos carregavam paus e pedras. Eles partiram da Praça General Gentil Falcão (na Avenida Luís Carlos Berrini) e percorreram cerca de 1 km até a sede da Rede Globo. No caminho, houve pichações. Ao chegar na frente da emissora, começaram as depredações. O grupo atirou esterco no logotipo da Globo e quebrou pelo menos dez holofotes dos jardins ao redor.

Duas fachadas de agências bancárias nas proximidades também foram depredadas. A PM não agiu em nenhum momento e só acompanhou o grupo, que chegou a hostilizar motoristas.

Na Paulista, a polícia também "escoltou" um grupo de mascarados que decidiu descer a Rua Augusta, às 20h. Não foi registrado vandalismo. Os dois grupos - na Berrini e na Augusta - se dispersaram às 22h.

 

Sindicalistas. Já o trânsito nos locais de manifestação foi o principal efeito notado pelos paulistanos no Dia Nacional de Manifestação e Luta. Os atos foram convocados por CUT, Força Sindical, Conlutas, CTB, Nova Central e CGTB. Os protestos foram uma continuidade do ato conjunto de 11 de julho. Naquela vez, como agora, não houve grande participação popular, mas as expectativas "foram superadas", segundo as centrais. "Apesar de não termos convocado greve geral, em sete Estados houve paralisação de transportes", disse o presidente da CUT, Vagner Freitas.

Em São Paulo, a primeira manifestação, pela manhã, causou lentidão na Marginal do Pinheiros, sentido Interlagos, às 10h. Mas havia poucas dezenas de participantes. Na Rua Alvarenga, a interdição ocorreu próximo da entrada da Universidade de São Paulo (USP).

À tarde, as mobilizações na Paulista foram maiores. A capital toda chegou a registrar 174 km de congestionamento às 16h06 (uma hora após o início dos protestos), índice 46% acima da média considerada normal. O pico de trânsito, porém, ocorreu uma hora após o fim dos protestos, às 19 horas - 199 km, 3 km acima da média. / COLABOROU ANNA CAROLINA PAPP

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