SP vai ver 'Guerra e Paz' a partir de fevereiro

Obra de Candido Portinari ficará exposta até abril no Memorial da América Latina

EDISON VEIGA, O Estado de S.Paulo

19 de outubro de 2011 | 03h05

Entre 6 de fevereiro e 21 de abril do ano que vem, os painéis Guerra e Paz, do pintor paulista Candido Portinari (1903-1962), serão expostos no Memorial da América Latina, na Barra Funda, zona oeste de São Paulo. E acompanhados de cerca de 100 dos 180 estudos que o artista fez, nos quatro anos que precederam a pintura da obra.

"O material foi garimpado no Brasil e no exterior. É a primeira vez que conseguimos reunir todos esses estudos, o que dá a esta exposição uma importância ainda maior", comenta João Candido Portinari, fundador e diretor-geral do Projeto Portinari.

Os painéis Guerra e Paz retornaram ao Brasil em dezembro do ano passado, após 54 anos na sede da Organização das Nações Unidas (ONU), em Nova York, para serem restauradas.

As obras ficaram expostas por 12 dias no Teatro Municipal do Rio, onde atraíram um público de 40 mil pessoas (veja ao lado).

Em seguida, foram encaminhadas ao Palácio Gustavo Capanema, onde foram restauradas em ateliê aberto ao público, durante quatro meses.

Carga simbólica. São Paulo é o primeiro destino da fase itinerante do projeto, que depois vai fazer escala em outras cidades do mundo.

A volta ao Brasil com exposição no Municipal carioca teve uma imensa carga simbólica. Isso porque em 1956, antes de seguirem para os Estados Unidos - como um presente do governo brasileiro à ONU -, os enormes painéis, que juntos medem 280 metros quadrados, também foram exibidos no imponente teatro.

"Eu tinha 17 anos na época e me lembro bem da emoção daquele momento", diz João Candido, que é filho do artista.

O minucioso trabalho de recuperação dos painéis Guerra e Paz levou quatro meses. Restauradores lançaram mão de toda a parafernália técnica para recuperar as cores originais da obra de Portinari. Pincéis, tubos de ensaio e até um microscópio eletrônico foram utilizados.

Restauro. Nos 54 anos em que ficou exposta na sede da ONU, a obra de Portinari sofreu os efeitos da exposição ao sol, dos desgastes provocados por um pigmento misterioso e até de respingos de coquetéis servidos em eventos ocorridos no local.

Para o restauro, os murais tiveram de ser totalmente desmontados. Apenas na exposição em São Paulo, a partir de fevereiro, os painéis voltarão a ser vistos como uma única obra.

A previsão é de que a obra seja devolvida à ONU apenas em 2013, depois de seguir em uma turnê mundial - depois de São Paulo, deve ser exposta na China, no Japão, na Noruega e no México.

"Pedidos de outras cidades não param de chegar, mas infelizmente é impossível atender a todos", explica João Candido. "Cada painel pesa mais de uma tonelada e é formado por 14 partes. Ficar montando e desmontando a obra é um grande risco." / COLABOROU NATALY COSTA

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