SP vai ganhar 100 câmeras para 'dedurar' camelôs

Equipamentos serão usados também pela Guarda Civil para monitorar início de tumultos e devem funcionar a partir de março Corporação monitora 272 aparelhos na capital e, até 2014, serão mais de mil auxiliando policiais no patrulhamento urbano

CRISTIANE BOMFIM, TIAGO DANTAS, O Estado de S.Paulo

27 de fevereiro de 2012 | 03h02

Até o fim de março deste ano, cem novas câmeras inteligentes devem flagrar a movimentação de ruas do centro expandido de São Paulo. Por meio de um programa de computador, os equipamentos são capazes de avisar a central de monitoramento da Guarda Civil Metropolitana (GCM) sobre a presença de camelôs na calçada ou o início de um tumulto, por exemplo.

Pelo menos 20 equipamentos já foram instalados, segundo o secretário municipal de Segurança Urbana, Edsom Ortega, que não revelou a localização dos dispositivos. "As câmeras foram colocadas em pontos estratégicos. A previsão é de que todas estejam funcionando em março", disse o secretário em 9 de fevereiro, durante compromisso oficial.

Uma das principais funções das novas câmeras dedos-duros da Prefeitura será combater o comércio ambulante. Quando alguém ficar parado muito tempo na área de cobertura do equipamento, a central da GCM receberá alerta. Caso a imagem mostre um ambulante, um guarda poderá ser enviado ao local.

"Esse tipo de câmera é indicado para grandes cidades porque pode ser programado para avisar sobre vários casos de infrações, como veículos na contramão ou em velocidade acima do permitido, formação de tumultos ou movimentação fora do padrão", afirma o especialista em Segurança Felipe Gonçalves Silva, da FGS Consultoria de Segurança.

Segundo Silva, a vantagem é que o operador não precisa ficar assistindo às imagens o dia inteiro. Basta prestar atenção aos alertas. "Depois de ver muito a imagem da mesma rua, é natural que ele não perceba alguns movimentos estranhos. Um sistema como esse vai filtrar o mais importante para o operador", diz.

O presidente do Sindicato dos Guardas Civis Metropolitanos da Cidade de São Paulo (Sindguardas), Carlos Augusto Souza Silva, não vê tanta vantagem. "Conheci esse equipamento em uma feira de segurança no ano passado. Realmente é muito bom. Mas não adianta ter câmeras de primeira linha se não tiver mão de obra adequada", critica o sindicalista.

A categoria reivindica aumento de salário e um plano de carreira mais atrativo. "Estamos perdendo guardas para todo o tipo de empresa. Falta perspectiva na nossa profissão", argumenta Souza Silva.

Ambulantes. Quem também não gostou da ideia foram os camelôs da região central de São Paulo. "Esse prefeito não gosta mesmo de camelô. Primeiro, colocou a PM atrás da gente. Agora, essa história de câmera", reclamou um dos ambulantes da Praça da Sé, identificado apenas como Rogério.

"A gente já não fica muito tempo parado por causa da (Operação) Delegada (na qual PMs trabalham nos seus dias de folga para a Prefeitura). O jeito é ficar mudando de lugar toda hora", sugeriu outro camelô, que trabalha na Rua Xavier de Toledo.

Procurada na sexta-feira à tarde para detalhar o serviço, a Secretaria Municipal de Segurança Urbana não respondeu.

Câmeras de alerta de movimento são usadas pela Polícia Militar de São Paulo desde 2009. Trinta equipamentos estão espalhados em pontos de muito movimento. O sistema já ajudou a identificar responsáveis por atos de vandalismo e a mapear a ação de traficantes no centro, segundo a corporação.

Embora seja capaz de emitir alertas para situações consideradas fora do comum, as câmeras inteligentes não podem filmar áreas muito grandes. Por isso, ao lado delas, a PM costuma instalar câmeras móveis, que permitem aproximar a imagem na tela da central de monitoramento em até três quilômetros e filmar em 360 graus.

"Os dois modelos são complementares. Se uma câmera inteligente fica na frente de um banco, por exemplo, pode ser programada para enviar um alerta para a central toda vez que filmar pessoas correndo naquele perímetro, o que indicaria um roubo", explica o capitão Cleodato Moisés do Nascimento, porta-voz do Comando de Policiamento da Capital (CPC).

"Mas a câmera não é capaz de seguir a correria. Então, na central, o policial pode usar as imagens da câmera móvel, que fica do lado, e ver para onde essas pessoas estão indo, até para saber se é um roubo mesmo. Vendo essas imagens, ele pode orientar a viatura que foi enviada para a ocorrência", diz Moisés.

Ao todo, a PM monitora 272 câmeras na capital. Até 2014, o governo do Estado pretende aumentar para mil o número de equipamentos que vigiam a cidade - ainda não se sabe se serão compradas novas câmeras inteligentes. Mais 2.934 dispositivos serão instalados na Grande São Paulo e no interior do Estado.

"Os equipamentos ajudam no patrulhamento. Do alto, o policial vê coisas que não enxergaria se estivesse a pé. Além disso, estudos mostram que a instalação de equipamento reduz a criminalidade em 15% ao seu redor, em média", diz Moisés.

No fim de 2010, uma câmera na zona norte flagrou um protesto em que moradores atearam fogo em pneus e móveis, bloqueando o trânsito em uma avenida. Pelo vídeo, os policiais conseguiram identificar quem levou os materiais para queimar e quem provocou o incêndio. / C.B e T.D.

1.Como funcionam as câmeras inteligentes? As câmeras têm programa de análise de vídeo que avalia o comportamento humano. Elas são programadas para emitir um alerta na central de monitoramento. Podem avisar quando alguém levanta o braço naquela área.

2.Para que elas são usadas? Em aeroportos são usadas para saber se há brigas no check-in ou se alguém entrou no embarque sem autorização. Em uma rodovia, podem avisar quando um carro sair da pista. O operador não precisa olhar para a tela o todo tempo.

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