SP vai ganhar 100 câmeras para 'dedurar' camelôs

Equipamentos serão usados pela Guarda Civil para monitorar ambulantes no centro e devem funcionar a partir de março

Cristiane Bomfim e Tiago Dantas, O Estado de S. Paulo

26 de fevereiro de 2012 | 22h20

Até o fim de março deste ano, 100 novas câmeras inteligentes devem flagrar a movimentação de ruas do centro expandido de São Paulo. Por meio de um programa de computador, os equipamentos são capazes de avisar a central de monitoramento da Guarda Civil Metropolitana (GCM) sobre a presença de camelôs na calçada ou o início de um tumulto, por exemplo.

 

Pelo menos 20 equipamentos já foram instalados, segundo o secretário municipal de Segurança Urbana, Edsom Ortega, que não revelou a localização dos dispositivos. "As câmeras foram colocadas em pontos estratégicos. A previsão é de que todas estejam funcionando em março", disse o secretário em 9 de fevereiro, durante compromisso oficial.

 

Uma das principais funções das novas câmeras dedos-duros da Prefeitura será combater o comércio ambulante. Quando alguém ficar parado muito tempo na área de cobertura do equipamento, a central da GCM receberá alerta. Caso a imagem mostre um ambulante, um guarda poderá ser enviado ao local.

 

"Esse tipo de câmera é indicado para grandes cidades porque pode ser programado para avisar sobre vários casos de infrações, como veículos na contramão ou em velocidade acima do permitido, formação de tumultos ou movimentação fora do padrão", afirma o especialista em Segurança Felipe Gonçalves Silva, da FGS Consultoria de Segurança.

 

Segundo Silva, a vantagem é que o operador não precisa ficar assistindo às imagens o dia inteiro. Basta prestar atenção aos alertas. "Depois de ver muito a imagem da mesma rua, é natural que ele não perceba alguns movimentos estranhos. Um sistema como esse vai filtrar o mais importante para o operador", diz.

 

O presidente do Sindicato dos Guardas Civis Metropolitanos da Cidade de São Paulo (Sindguardas), Carlos Augusto Souza Silva, não vê tanta vantagem. "Conheci esse equipamento em uma feira de segurança no ano passado. Realmente é muito bom. Mas não adianta ter câmeras de primeira linha se não tiver mão de obra adequada", critica o sindicalista.

 

A categoria cobra aumento de salário e um plano de carreira mais atrativo. "Estamos perdendo guardas para todo o tipo de empresa. Falta perspectiva na nossa profissão", argumenta Souza Silva.

 

Ambulantes. Quem também não gostou da ideia foram os camelôs da região central de São Paulo. "Esse prefeito não gosta mesmo de camelô. Primeiro, colocou a PM atrás da gente. Agora, essa história de câmera", reclamou um dos ambulantes da Praça da Sé, identificado apenas como Rogério.

 

"A gente já não fica muito tempo parado por causa da (Operação) Delegada (na qual PMs trabalham nos seus dias de folga para a Prefeitura). O jeito é ficar mudando de lugar toda hora", sugeriu outro camelô, que trabalha na Rua Xavier de Toledo.

 

Procurada na sexta-feira à tarde para detalhar o serviço, a Secretaria Municipal de Segurança Urbana não respondeu.

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