SP vai buscar água a 83 km de distância

Governo abriu licitação para obra de novo sistema de captação para Região Metropolitana

ARTUR RODRIGUES, O Estado de S.Paulo

09 de novembro de 2012 | 02h04

Para suprir a demanda de água na Grande São Paulo, o governo do Estado lançou ontem um edital de licitação para implantar um sistema que vai captar água a 83 quilômetros de distância, na Bacia do Rio São Lourenço. A construção ocorrerá por meio de uma Parceria Público-Privada (PPP), pela qual a instituição vencedora deverá arcar com o custo de R$ 1,68 bilhão e, em troca, vai operar o sistema por 25 anos.

O sistema gerará um acréscimo de 4,7 metros cúbicos água por segundo - atualmente a Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp) produz 72,8 m³/s. A mudança deve beneficiar 1,5 milhão de moradores de Barueri, Carapicuíba, Cotia, Itapevi, Jandira, Santana de Parnaíba e Vargem Grande Paulista.

A água será captada na Represa Cachoeira do França, em Ibiúna. Para trazer até a Grande São Paulo, a empresa vencedora da licitação deverá construir um sistema de bombeamento que puxará a água de um desnível de 300 metros de altura - o equivalente a 10 prédios de 10 andares - para ultrapassar a Serra de Paranapiacaba. Atualmente, o Sistema Cantareira é o que tem o maior desnível, de 100 metros.

Ainda serão instaladas uma estação de tratamento, estações elevatórias, 78,3 km de adutora principal e mais 4,9 km de adutoras auxiliares e reservatórios para armazenar 110 milhões de litros de água bruta ou tratada. Parte da tubulação terá 2,1 metros de diâmetro, o equivalente a metade de um túnel de metrô.

"Vai ganhar a licitação quem estabelecer a menor contraprestação mensal. O edital definiu R$ 25 milhões como teto", disse ontem o governador Geraldo Alckmin (PSDB), no Palácio dos Bandeirantes. Segundo ele, a expectativa é assinar o contrato no primeiro semestre do ano que vem. A obra deve durar de três a quatro anos.

O aumento na produção de água ainda não será suficiente para suprir a demanda. Até 2035, o consumo de água Grande São Paulo deve subir cerca de 40%. Isso significa que seria necessário um aumento de 30 m³/s.

Perdas. O governador afirma que a Sabesp está investindo na redução das perdas com vazamentos e ligações irregulares. "Reduzimos de perda o equivalente a 5 metros cúbicos por segundo. Estamos em 25 metros cúbicos. Nossa meta é chegar a 16", afirmou. /COLABOROU BRUNO BOGHOSSIAN

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