SP terá paralisação de ônibus na quarta-feira

Mobilização é para protestar contra morte de motorista, vítima de um incêndio provocado por criminosos no ônibus em que trabalhava

Caio do Valle, O Estado de S. Paulo

03 de novembro de 2014 | 17h20

SÃO PAULO - A capital paulista deve enfrentar uma paralisação do serviço de ônibus das 10h às 14h na quarta-feira, 5. A informação é do Sindicato dos Motoristas e Trabalhadores em Transporte Rodoviário Urbano (Sindmotoristas), que quer promover a medida como meio de protestar contra a violência no sistema de coletivos e a morte de um condutor na semana passada, na zona norte.

De acordo com a entidade, a paralisação está prevista para acontecer fora dos horários de pico da manhã e da tarde. "É para evitar prejudicar a população de um modo geral", afirmou ao Estado o assessor da presidência do sindicato, Romualdo Santos.

Ainda segundo o sindicato, o movimento pode começar até um pouco mais cedo nos terminais de ônibus, com coletivos deixando de sair por volta das 9h30. "A normalização total está prevista lá pelas 16h", disse Santos. O sistema de ônibus tem uma frota total de 14,8 mil veículos, dos quais 8,8 mil são operados pelas empresas aos quais os funcionários são ligados ao Sindmotoristas.

Por volta das 11h, um ato está previsto para ocorrer nas imediações do Terminal Parque Dom Pedro 2.º, no centro, no qual deverá comparecer o presidente do Sindmotoristas, José Valdevan de Jesus Santos, o Noventa. A reportagem não conseguiu estabelecer contato telefônico com Noventa por volta das 17h desta segunda-feira, 3.

A intenção, conforme Santos, é parar todos os terminais da capital, mas os detalhes devem ser informados por Noventa em uma apresentação nesta terça-feira, 4.Os veículos deverão ser parados nas ruas onde estiverem às 10h da manhã.

A assessoria de imprensa da São Paulo Transporte (SPTrans) disse que a empresa, que gerencia o sistema municipal de ônibus na cidade, vai tomar as medidas necessárias, em caso de paralisação, para minimizar os possíveis transtornos à população e assegurar o transporte coletivo aos usuários. O Sindmotoristas congrega 36 mil profissionais que trabalham no sistema de transportes sobre pneus da capital paulista.

Morte. A mobilização tem como objetivo protestar pela morte do motorista John Carlos Soares Brandão, que teve o corpo queimado por bandidos enquanto trabalhava em uma linha da Viação Santa Brígida em outubro, no Jaraguá, na zona norte. O condutor ficou alguns dias internado no Hospital Estadual de São Mateus, na zona leste, mas não resistiu aos ferimentos. Ele morreu na semana passada.

Há alguns dias, o sindicato já havia promovido uma passeata pelo centro da capital, cobrando justiça e maior proteção dos profissionais que trabalham no setor. A manifestação saiu da sede da entidade, na Liberdade, e passou pelas secretarias municipal dos Transportes e estadual da Segurança Pública.

Tudo o que sabemos sobre:
SPTransSão Paulo Transporte

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.