Andre Lessa/AE-18/9/10
Andre Lessa/AE-18/9/10

SP terá mais ônibus no Dia Mundial Sem Carro

A São Paulo Transporte vai ampliar horários de pico para atender à demanda, mas deixar carro na garagem ainda é desafio ao paulistano

, O Estado de S.Paulo

22 Setembro 2010 | 00h00

A São Paulo Transporte (SPTrans) vai ampliar hoje o horário de pico dos ônibus em São Paulo por duas horas. A medida é para atender ao aumento da demanda de passageiros no transporte público por causa do Dia Mundial Sem Carro.

De acordo com a SPTrans, o pico da manhã, que vai das 5h às 8h30, será ampliado em 30 minutos, com acréscimo de 12% na oferta de viagens, passando de 93.076 para 104.584 partidas. O pico da tarde, que é das 16h às 20h, será ampliado das 15h30 até 21h, aumentando a oferta de partidas em 22%: de 112.418 para 137.352 viagens.

Além da ampliação já programada, todas as linhas do sistema de transporte público municipal serão monitoradas durante o dia e, caso seja constatado aumento na demanda, a frota será reprogramada para ter mais veículos e, consequentemente, maior oferta de lugares.

Desafio. No Dia Mundial Sem Carro, cidadãos do mundo todo são encorajados a se deslocar por suas cidades sem usar automóveis. Fazer isso em São Paulo, no entanto, é muito difícil. Com ônibus lentos e metrô superlotado, falta incentivo para deixar o carro na garagem. Usar a bicicleta também causa desânimo, pois faltam ciclovias e ciclofaixas na cidade.

O ônibus é o meio de transporte público mais usado na capital - nos últimos 12 meses foram 2,9 bilhões de embarques. O serviço prestado, no entanto, recebe muitas reclamações.

Primeiro, porque a cidade tem poucos corredores exclusivos - são só 126 quilômetros, apenas 2,9% da extensão viária percorrida por todas as linhas da cidade - 4.373 km. E, mesmo nos corredores, a velocidade é baixa.

Em pesquisa no site da SPTrans, a reportagem anotou ao menos três coletivos trafegando a 9km/h durante o pico da noite de segunda-feira. A velocidade é a mesma de um pedestre a passo rápido.

A Secretaria de Transportes afirmou que "trabalha com a previsão da Agenda 2012" de implementar 66 km de corredores de ônibus e está investindo R$ 162,8 milhões nos já existentes.

Superlotação. No metrô, o desconforto também é um desestímulo. A superlotação vem crescendo - no dia 3 deste mês, 3,794 milhões de pessoas foram transportadas pelas quatro linhas administradas pelo Metrô, um recorde.

A rede também é pouco abrangente. São Paulo tem 68,9 km de metrô - bem menos que cidades como Nova York (370 km) e Londres (400 km) e capitais latino-americanas, como a Cidade do México (202 km).

Em extensão, o metrô paulistano é comparável com o do Cairo, no Egito, a única cidade africana com esse sistema. São 65,5 km de rede em 55 estações.

Até 2012, segundo a administração municipal, "R$ 2 bilhões terão sido repassados" ao Metrô. A empresa informou que vai investir R$ 15 bilhões na rede até 2014.

Insegurança. Também é difícil a vida de quem se desloca de bicicleta. Especialistas recomendam a construção de ciclofaixas e ciclovias em locais mais movimentados para aumentar a segurança de quem pedala.

São Paulo tem apenas 35,5 km dessas pistas. Em 2009, haviam sido prometidos 45 km de ciclovias para ficar prontas em julho deste ano, mas as obras ainda não começaram.

A Prefeitura disse, por meio de nota, que outros 6 km de ciclovias e ciclofaixas estão em obras. / ANA BIZZOTTO, DIANA DANTAS e RODRIGO BURGARELLI

Serviço

SITES: WWW.NOSSASAOPAULO.ORG.BR/PORTAL/SEMANADAMOBILIDADE, WWW.DIAMUNDIALSEMCARRO.ORG E WWW.VADEGALINHA.ORG

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.