SP terá 6 shoppings, com 10 mil vagas; contrapartidas viárias são imprecisas

Metade das obras foi iniciada, mas ações para compensar trânsito não têm mesmo ritmo; centros atrairão 100 mil pessoas por dia até 2015

ADRIANA FERRAZ, O Estado de S.Paulo

16 Setembro 2012 | 03h01

A cidade de São Paulo vai ganhar mais seis shoppings - hoje são 69 - com 10,2 mil vagas de estacionamento até 2015. Juntos, os centros comerciais devem receber pelo menos 100 mil pessoas por dia e ajudar a travar ainda mais o trânsito já pesado dos corredores que abrigarão os empreendimentos. Mais da metade das obras já começou e ocupa terrenos disputados em vias como as Marginais do Tietê e do Pinheiros e a Avenida Paulista.

O ritmo das construções, no entanto, não é o mesmo da criação de medidas para reduzir o impacto no tráfego local. Somente um empreendimento, o Shopping Metrô Tucuruvi, na zona norte, iniciou as medidas da lista de exigências da Companhia de Engenharia de Tráfego (CET), mas não as terminou, a cerca de três meses da abertura. E o maior deles, o Nova 25 de Março, na zona sul, nem sequer sabe o que terá de fazer, a menos de um ano da inauguração.

Segundo a legislação, construções com mais de 500 vagas são classificadas como polos geradores de tráfego e obrigadas a investir 5% do valor total da obra em medidas para mitigar o impacto no trânsito. A lei também relaciona a emissão de licenças de funcionamento à conclusão das exigências viárias. Pelo menos na teoria, uma vez que o Mooca Plaza, na zona leste, ficou aberto por dez meses sem que tivesse obtido o Termo de Recebimento e Aceitação Definitivo (Trad). Ainda hoje, luta pela obtenção do Habite-se definitivo e do alvará de funcionamento.

Além do Tucuruvi e do Nova 25 de Março, a capital terá os Shoppings Plaza Tietê, na zona norte, Cidade de São Paulo, no centro, Shops Jardins e Parque da Cidade, ambos na zona sul. Espera-se ainda que outros quatro possam ser iniciados e finalizados nos próximos anos, como os Metrôs Vila Madalena, Carrão e Jabaquara, além de um possível centro de compras no Largo da Batata, na zona oeste.

Seja qual for o endereço, as medidas de contrapartida mais exigidas, em geral, são a troca de semáforos e o rebaixamento de guias. Instalação de painéis com mensagens institucionais e alargamento de ruas também figuram na lista. Enquanto uns só trocam a sinalização, outros são obrigados a construir viadutos e passarelas avaliados em até R$ 90 milhões - caso do Shopping JK Iguatemi, na Vila Olímpia, zona sul, aberto em junho.

Regra. As discrepâncias ocorrem porque não existe uma regra na Prefeitura que defina o que deve ser feito. As exigências são resultado de uma análise realizada apenas por técnicos da Companhia de Engenharia de Tráfego (CET), que pode ser considerada subjetiva, uma vez que depende da interpretação de dados. "É preciso usar padrões, softwares que evitem essa subjetividade. Além disso, por que exigir milhares de vagas em locais com tráfego saturado? Precisamos é desestimular o uso do carro", diz o urbanista Flamínio Fichmann.

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