SP tem o 100º homicídio de PM neste ano

Soldado foi achado morto no interior; na capital, 5 pessoas foram baleadas por motoqueiros

RICARDO BRANDT / CAMPINAS , WILLIAM CARDOSO / SÃO PAULO, O Estado de S.Paulo

06 de dezembro de 2012 | 02h03

O soldado Gentil Brandini, de 42 anos, foi encontrado morto na manhã de ontem em sua casa, em um condomínio de chácaras em São Pedro, no interior de São Paulo. Ele é o 100.º PM morto neste ano no Estado. A onda de violência também voltou a ter casos na capital: cinco pessoas foram baleadas por motoqueiros no Jardim São Luís, na zona sul. Duas delas morreram.

No caso de São Pedro, o policial estava deitado de bruços na cama, com tiros na nuca e nas costas. Ele foi encontrado pela mulher por volta das 10h. O coronel da PM Otacílio Souza disse que a Polícia Civil investigará o caso, mas considera que as características do caso não são típicas de ações de execução relacionadas à facção criminosa Primeiro Comando da Capital (PCC). "Em razão de ele estar na cama, serem poucos tiros, não encaminhamos muito para esse lado (da execução)", disse Souza.

O policial havia trabalhado durante a madrugada e chegou em casa às 7h, quando a mulher saía para levar a filha do casal de 12 anos para a escola. Quando ela voltou, por volta das 10h, disse ter encontrado o marido baleado no cama e a casa toda aberta.

Para a PM, ela afirmou que deixou a casa fechada. Não havia sinais de arrombamento e a arma oficial foi levada. "Trabalhamos com várias hipóteses. Não descartamos nada. Não queremos falar em execução, mas não está descartado", afirmou Souza.

Noite. Na capital, cinco pessoas foram baleadas e duas morreram na noite de anteontem na região do Jardim São Luís, zona sul, em mais um crime executado por motoqueiro e garupa. Segundo testemunhas, os policiais militares que foram ao local para atender a ocorrência recolheram as cápsulas das balas, o que dificulta a investigação.

Segundo as testemunhas, na Rua Sebastião Dias Fragoso, dois homens em uma moto mataram Fernando de Assis Oliveira, de 23 anos, e Alexandre Machado Valenciano, de 19. "Ele voltava da aula quando foi baleado", disse um primo, de 23 anos. Na sequência, outras três pessoas foram baleadas em um bar, na mesma rua. Elas sobreviveram.

Testemunhas disseram ainda que a moto estava com a placa encoberta e os atiradores usavam botas semelhantes às de PMs. Uma representante comercial de 38 anos, que mora perto do local do crime, contou que policiais recolheram as cápsulas. "Eles passaram álcool e colocaram em um saquinho." Segundo ela, ainda foram arrogantes ao lidar com os familiares das vítimas, mandando-os procurar pelos corpos nos hospitais da região.

A corporação diz que precisa da formalização das denúncias para "dar uma resposta adequada à sociedade". Também no Jardim São Luís, anteontem à noite, um homem de 45 anos foi encontrado baleado na Rua Giosue Carducci. Ele passava por cirurgia às 19 horas de ontem.

Bombeiro. Na Avenida Itaberaba, na Freguesia do Ó, zona norte da capital, um bombeiro de 33 anos chegava em casa de carro com a mulher, uma auxiliar administrativa de 35 anos, quando foram atacados. Os agressores se aproximaram dos dois atirando. Eles ainda gritaram "vai morrer, polícia", antes de começarem a atirar. O bombeiro contou à polícia que revidou o ataque com uma pistola 380 e baleou na cabeça um dos suspeitos, um adolescente de 17 anos. O outro agressor conseguiu escapar.

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