SP tem mais roubo e homicídio pelo 3º mês seguido

Dados criminais divulgados ontem confirmam tendência de piora, tanto no acumulado do ano quanto em comparação a maio de 2011

BRUNO PAES MANSO, DANIEL TRIELLI, O Estado de S.Paulo

26 de junho de 2012 | 03h03

Os três tipos de crime que mais aumentam a sensação de insegurança estão entre os que mais cresceram na capital paulista nos primeiros cinco meses do ano - homicídios (16,3%), roubos de veículos (26%) e outros tipos de roubo (7,3%). Os dados divulgados ontem pela Secretaria de Segurança Pública confirmam tendência de piora na criminalidade. É o terceiro mês seguido em que o número de assassinatos aumenta na cidade em comparação ao mesmo mês do ano anterior. Já os roubos têm o quinto mês de piora em comparação a 2011.

Nos primeiros cinco meses na capital também cresceram furtos de veículos (8,6%), roubos de carga (10,9%) e estupros (16,7%). Os crimes que registraram queda são homicídio culposo por acidente de trânsito (-14,5%), latrocínio (-2,1%) e roubo a banco (-24%). No entanto, esse último não inclui as explosões de caixas eletrônicos, que são registradas como furtos qualificados.

No total, 60 dos 93 DPs paulistanos tiveram alta no número de roubos (exceto de veículos). Entre os roubos de veículos, 73 tiveram alta. Assim como nos meses passados, as maiores altas foram registradas em regiões fora do centro expandido: Jardim Mirna, na zona sul, teve alta 82,2% nos roubos e o DP da Nossa Senhora do Ó, na zona norte, tem os maiores aumentos de roubo e furto de veículos - 188,2% e 104,1%, respectivamente.

A situação já tem levado autoridades de segurança pública a buscar alguns antigos argumentos para explicar a alta. O delegado-geral da Polícia Civil, Marcos Carneiro Lima, aponta a sensação de impunidade por parte do autor de homicídio como explicação para a alta. "Como pode um autor de triplo homicídio, depois de nove anos, receber direito a regime semiaberto?", questiona. "Isso ocorreu em São Paulo e o sujeito voltou a matar depois de solto."

Já o comandante geral da Polícia Militar, Roberval Ferreira França, apontou a elevada proporção de menores de idade praticando crimes para justificar o aumento nas taxas. Segundo ele, 14 das 30 pessoas presas em roubos de restaurantes eram adolescentes. "É por isso que defendemos a diminuição da maioridade penal", diz França.

No Estado. Os dados de criminalidade no Estado estão um pouco melhores do que na capital. Os homicídios, por exemplo, apesar de registrarem alta acumulada nos primeiros cinco meses do ano (4,8%), já tiveram queda (-3,2%) no mês de maio.

Roubos de veículos (20,9%) e em geral (5,7%), no entanto, mantiveram crescimento no acumulado do ano e a tendência se manteve em maio. "As pessoas ficaram um pouco anestesiadas com tipos de crime como roubo de carros, porque faziam seguro", analisa o delegado-geral. Segundo Carneiro, a Polícia Civil passou a investigar e prender os receptadores e os desmanches, dificultando o trabalho das quadrilhas organizadas.

Já o comandante-geral da PM lembra que o total de carros no Estado passou de 10 milhões para 22 milhões. "Isso facilitou para os ladrões", diz.

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