SP tem maior lentidão da história: 344 km

Pico de trânsito ocorreu às 19h; segundo a Companhia de Engenharia de Tráfego (CET), medo de greve, chuva e manifestação contribuíram

MÔNICA REOLOM , RAFAEL ITALIANI, O Estado de S.Paulo

24 Maio 2014 | 02h04

A cidade de São Paulo registrou, às 19h de ontem, o maior congestionamento da sua história, com 344 quilômetros de vias paradas. Foram 35 km a mais do que o recorde anterior, de 309 km de lentidão, alcançado na véspera do feriado da Proclamação da República, no ano passado. A Companhia de Engenharia de Tráfego (CET) atribuiu o índice à chuva, ao excesso de veículos - que é normal às sextas-feiras - e à preocupação da população com greves.

Durante a tarde, a cidade ainda tinha reflexos da greve de motoristas e cobradores de ônibus da Grande São Paulo de uma manifestação com 5 mil professores no Viaduto do Chá. Os 344 km de ontem representaram 39,6% das vias monitoradas pela CET congestionadas, número muito acima da média do horário, de 20%, ou 175 km. O recorde foi 11,3% maior do que o registrado no ano passado.

De acordo com Olímpio Mendes de Barros, gerente da Central de Monitoramento da CET, além dos fatores que são recorrentes às sextas-feiras, o medo de novas greves na capital e paralisação de motoristas e cobradores de ônibus na Região Metropolitana colaboraram. "O fato de as pessoas terem enfrentado dois dias de greve antes fez com que muitos acumulassem tarefas para resolver na sexta-feira", afirmou Barros. Um dos argumentos que sustentam essa possibilidade, segundo ele, foi o trânsito nas duas Marginais, que ficaram bloqueadas. As vias têm acesso para as rodovias que levam aos municípios da Região Metropolitana e ao interior do Estado.

Motor quente. Em um posto de combustível na altura da Ponte do Limão, na zona norte, o vendedor Rafael Henrique Soares, de 27 anos, aguardava o motor de seu Palio Weekend 1998 esfriar. "Fiquei muito tempo parado no trânsito, acelerando, freando, e o motor esquentou. Como o carro é velho, tenho de parar um pouco para esperar esfriar. Só tenho esse." Entre o Bom Retiro, na região central, e a Ponte do Limão, ele levou uma hora. Normalmente, demora 20 minutos no trecho.

No mesmo posto, o manobrista Antonio de Oliveira, de 57 anos, se arrependia de ter saído de carro para trabalhar. "Eu prefiro ir de moto para não pegar trânsito, mas com a chuva, por segurança e conforto, tive de pegar um trânsito desses", disse.

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