SP tem 800 mil pedidos médicos na fila de espera

Lista divulgada ontem pela Prefeitura mostra, por exemplo, que paulistana chega a esperar 4,6 anos por procedimento ginecológico

ADRIANA FERRAZ, FELIPE FRAZÃO, O Estado de S.Paulo

28 de fevereiro de 2013 | 02h06

A Prefeitura divulgou ontem, pela primeira vez, a lista completa dos pedidos médicos reprimidos na rede municipal. Ao todo, havia em 31 de dezembro 800.224 registros na fila por atendimento, seja na área de exames, consultas com especialistas ou mesmo cirurgias. Na média, o tempo de espera é de 8 meses.

A relação revela que há 57 mil pessoas aguardando consulta com um dermatologista e outras 49 mil com um otorrino. Quando o assunto é demanda por exames, o ultrassom transvaginal - essencial para diagnosticar miomas e câncer, por exemplo - é o mais disputado, com 71,7 mil pessoas na espera. Quem pode pagar recorre às clínicas populares, que cobram cerca de R$ 60. Quem não pode perde a chance de iniciar o tratamento ainda no início da doença.

A demanda por cirurgia não fica atrás. Hoje, 60 mil pedidos estão paralisados. Desses, alguns têm previsão de deixar a fila apenas daqui a nove anos. É o caso das solicitações para cirurgia geral, que envolvem, por exemplo, o sistema digestório. Em seguida, estão procedimentos ginecológicos, cuja espera é de 4,6 anos, e de urologia, que chega a 3,3 meses.

A corrida por serviços odontológicos é igualmente disputada. O agendamento de consulta com um cirurgião dentista demora só dois dias, mas o prazo para colocação de uma prótese chega a 3,5 anos - 23,6 mil pessoas estão nessa lista.

Ultrassom e mamografia. A herança da gestão de Gilberto Kassab (PSD) explica por que a saúde é a área que recebe a pior avaliação da população em pesquisas de satisfação. E o quadro não deve mudar tão rapidamente, mesmo que haja uma injeção de recursos do governo atual. Ontem, o prefeito Fernando Haddad (PT) anunciou oficialmente que a rede vai priorizar a realização de exames da rotina feminina, como ultrassons e mamografias, ambos com alta demanda. A expectativa é de alcançar 90 mil agendamentos.

"A Ação Hora Certa vai oferecer alguns exames para os quais as filas estão muito extensas. As mulheres serão convocadas por telefone, na ordem da espera", disse o prefeito. A fim de reduzir faltas, a Secretaria Municipal de Saúde enviará SMS às pacientes com dois dias de antecedência com alertas sobre a data do procedimento e o horário.

Segundo o prefeito, um em cada quatro usuários da rede, na média, não comparece às consultas, o que agrava o quadro. "Se você, cidadão, avisar antes que vai faltar, essa consulta vai ser remarcada sem prejuízo", alertou o prefeito, em nota.

Segundo a Secretaria Municipal da Saúde, a ação terá caráter gradativo. Após reduzir a fila por ultrassons e mamografias, a Prefeitura iniciará outras medidas segmentadas na área e não descarta a necessidade de contratação de vagas adicionais em clínicas particulares.

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