SP tem 522 mil pessoas em área de risco

Estudo inédito mostra que problema se concentra na Região Metropolitana: um em cada seis lugares perigosos está localizado na capital

Alberto Bombig, O Estado de S.Paulo

14 de maio de 2011 | 00h00

Pesquisa da Fundação Seade encomendada pela Secretaria da Habitação traçou o mais completo mapa de áreas de risco de São Paulo. Segundo o levantamento, obtido com exclusividade pelo Estado, pelo menos 522 mil pessoas vivem em locais impróprios para o assentamento humano no mais rico Estado da federação. Se fossem aglomerados no mesmo espaço urbano, esses habitantes formariam uma cidade quase do tamanho de São Caetano do Sul e Diadema juntas (535.610 habitantes).

Outra revelação da pesquisa é que as áreas de risco não estão concentradas apenas na Região Metropolitana e no litoral. No total, são 173.978 domicílios localizados em 3.042 locais impróprios que estão espalhados por 232 municípios dos 645 do Estado de São Paulo.

A maior incidência do problema, no entanto, ocorre mesmo na Região Metropolitana da capital, onde 92% das cidades têm famílias vivendo em locais inadequados e sujeitos a desastres ambientais. Só o Município de São Paulo responde por 562 áreas de risco identificadas - 18,5% do total -, com 36 mil domicílios.

Conforme os cálculos da Fundação Seade, vinculada à Secretaria Estadual de Planejamento e Desenvolvimento Regional do Estado de São Paulo, cada domicílio tem em média três moradores. O levantamento foi feito no decorrer do ano passado e pesquisou 594 dos 645 municípios paulistas. O estudo inédito vai nortear as ações da Secretaria da Habitação na remoção de moradores dessas áreas e consequente reurbanização de favelas - 4.153 distribuídas em 133 municípios, 20% do total do Estado.

"Essa é uma questão que está sendo levantada com mais preocupação nos últimos anos. Antes, os governos esperavam os problemas para fazer o socorro depois. A política hoje é outra e tem de investir na prevenção", afirma o secretário estadual da Habitação, Silvio Torres.

Para isso, segundo ele, a secretaria decidiu centrar sua política de habitação nos locais críticos. "A nossa prioridade é a área de risco", afirma Torres. No verão passado, pelo menos 29 pessoas morreram no Estado de São Paulo em decorrência de alagamentos e desmoronamentos. Em 2010, a cidade histórica de São Luiz do Paraitinga, no Vale do Paraíba, foi praticamente destruída por um temporal.

As ações do governo se dividem basicamente entre a remoção de famílias dos locais de risco e a urbanização de favelas e áreas degradadas. No primeiro caso, a retirada é imediata e o Estado concede um auxílio-moradia emergencial aos removidos, que, mais adiante, serão incluídos em programas habitacionais da secretaria. Neste ano, o orçamento da pasta tem R$ 2,3 bilhões - R$ 1,8 bilhão para investimentos na tentativa de atingir a meta de 40 mil unidades em construção.

Serra do Mar. Fora da Região Metropolitana de São Paulo, as piores situações estão na Baixada Santista e no Vale do Ribeira. Mais de 70% dos municípios dessas regiões têm ocorrências de áreas de risco. Por conta desses índices, o governo criou um programa específico para o litoral.

Nesses locais, 639 família já foram para moradias da Companhia de Desenvolvimento Habitacional e Urbano (CDHU) do Estado e 456 recebem auxílio moradia de R$ 400 por mês, até que seja construída a casa definitiva.

O número de famílias que deverão deixar áreas de risco ou de preservação ambiental na Serra do Mar deverá chegar a 5 mil neste ano, segundo a secretaria.

 

 

 

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