SP tem 12 pontos de 'racha relâmpago'

Para escapar da fiscalização, jovens combinam corridas ilegais por telefone ou internet; 'pega' matou anteontem filho de atriz da Globo

Vitor Hugo Brandalise, O Estado de S.Paulo

22 de julho de 2010 | 00h00

Para escapar de blitze da Polícia Militar, adeptos de rachas em ruas de São Paulo passaram a combinar as corridas ilegais por telefone ou internet, momentos antes de sair de casa. São os "rachas espontâneos", ou "relâmpago", modalidade que substitui antigos pontos fixos, mas ainda tem em 12 ruas e avenidas da cidade as vias mais procuradas.

Segundo levantamento do Comando de Policiamento de Trânsito (CPTran), grandes avenidas, com retas de pelo menos 400 metros de extensão (tamanho oficial de uma pista de arrancada) - como a Avenida Roberto Marinho, na zona sul, e a Marginal do Pinheiros na altura da raia olímpica da USP, na zona oeste - são os pontos mais procurados (veja abaixo). "Como aumentou a fiscalização após a lei seca, adeptos do racha perderam os pontos fixos, que coincidiam com áreas de bares e casas noturnas. E adaptaram-se criando encontros combinados na hora", diz o capitão Paulo Sérgio Oliveira, do CPTran.

Anteontem, um carro em alta velocidade atropelou e matou no Rio o músico Rafael Mascarenhas, de 18 anos, filho da atriz Cissa Guimarães. Testemunhas revelaram que o motorista disputava um "pega" com outro carro.

Mídias sociais são usadas pelos "rachadores" para combinar os encontros. "Costumo combinar via MSN, Twitter ou Orkut, só avisando que estou saindo de casa, em direção a algum "pico"", conta o estudante Diogo, de 18 anos, que não divulgou sobrenome. "Vou até um posto perto da raia da USP, ou no fim da Avenida Ricardo Jafet (no Ipiranga, zona sul), onde sempre tem alguém querendo "brincar"."

Busca na internet. "O pior dos rachas na cidade já passou, mas ainda acontece nessa forma esporádica, difícil de fiscalizar. Eles vasculham a região antes, para ver se há blitze, e depois fazem os rachas", disse o tenente Cleodato Moisés, do Comando de Policiamento da Capital. Para combatê-los, o CPTran vai treinar policiais para vasculhar sites de mídia social. "É o que falta para descobrirmos o funcionamento dessa nova dinâmica", diz o capitão Oliveira. No ano passado, foram apreendidos nove veículos em rachas nas ruas da capital; em 2007, antes da lei seca, foram 25 apreensões.

OS 12 LOCAIS DE RISCO

Zona norte: Avenidas Brás Leme, Inajar de Souza e Dumont Villares e Rua Lázaro Amâncio de Barros

Zona sul: Avenidas Ricardo Jafet, Roberto Marinho e Baronesa de Muritiba

Zona oeste: Avenida Politécnica e Marginal do Pinheiros (altura da raia olímpica da USP)

Zona leste: Avenida Jacu Pêssego e Ruas Alto Garças e Santa Inês

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