SP só tem recurso para 50% das metas

Viabilidade do pacote vai depender de recursos de outras esferas, como o governo federal

O Estado de S.Paulo

28 Março 2013 | 02h01

A Prefeitura de São Paulo só tem recursos para cumprir metade do plano de cem metas apresentado nesta terça-feira. O prefeito Fernando Haddad (PT) admitiu ontem aos vereadores durante discurso na tribuna da Câmara Municipal que, sem a renegociação da dívida, verbas oriundas do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) e de pelo menos três linhas federais de créditos, o programa de R$ 23 bilhões nem seria apresentado.

Pelo cálculo, o caixa do governo deve ser abastecido com cerca de R$ 12 bilhões para que as metas saiam do papel ao longo dos próximos quatro anos. Só para viabilizar as 55 mil unidades habitacionais prometidas por Haddad, por exemplo, serão precisos R$ 4 bilhões do programa federal Minha Casa, Minha Vida. Há a expectativa de que outros R$ 5 bilhões sejam alcançados a partir da renegociação da dívida com a União.

"Esse plano vai elevar a capacidade de investimento de R$ 3 bilhões para R$ 6 bilhões por ano. E isso não é nada extraordinário para os padrões da cidade. Temos de fazer chegar a São Paulo o que é direito de São Paulo." Haddad disse ainda que os responsáveis pela execução de cada meta já estão buscando recursos tanto com o governo federal como o estadual.

Responsável pela elaboração do plano, a secretária municipal de Planejamento, Orçamento e Gestão, Leda Paulani, afirmou que o plano é factível do ponto de vista financeiro. "Ele é absolutamente coerente com o plano de governo do prefeito e leva em conta a probabilidade média de algumas dessas coisas darem certo e outras não. Mas sabemos o que dará certo, como a busca de maior parceria com o governo federal."

Para Leda, o investimento atual de R$ 3 bilhões representa a situação da gestão passada. "Essa gestão está mudando essa relação. Na área da saúde, por exemplo, recebemos hoje per capita um terço do que Belo Horizonte recebe. Temos de acertar os protocolos, rever as relações e buscar os recursos."

Crítica. Para a bancada de oposição, atrelar o cumprimento do plano à arrecadação de recursos com outras fontes de governo é já apresentar uma justificativa para não cumpri-lo. "Esse é o hábito do PT. Além de depender do governo federal, está incorporando projetos alheios. Fazer 20 mil moradias do centro é um programa do Estado, o Casa Paulista", disse o vereador Andrea Matarazzo (PSDB).

Segundo o líder do governo, vereador Arselino Tatto (PT), a discussão é inútil. "Não é demérito algum contar com recursos de outras esferas. Pelo contrário, mostra a capacidade política do prefeito, que sabe os caminhos e tem uma relação estadista com o governo federal do PT e com o governo estadual do PSDB. Ele coloca a cidade acima de tudo." O petista afirmou que os recursos almejados serão liberados por causa da importância da cidade de São Paulo no cenário brasileiro. / A.F.

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