SP segue com roubo em alta e queda de homicídio

No 1º bimestre, assassinatos caíram 2% em relação a 2011; roubos de carros subiram 14%

BRUNO PAES MANSO, DANIEL TRIELLI, O Estado de S.Paulo

27 Março 2012 | 07h40

No primeiro bimestre, São Paulo voltou a registrar queda nos homicídios (2,17%) e alta em diferentes modalidades de roubo. Conforme dados divulgados ontem, cresceram no Estado tanto os roubos em geral (2%) quanto o de carros (14%). E houve ligeiro aumento de latrocínios - quando o assalto leva à morte. Foram 49 ocorrências, enquanto em janeiro e fevereiro do ano passado houve 45 - crescimento de 12%.

A situação é semelhante na capital. No primeiro bimestre, a cidade registrou 162 assassinatos, o que representa uma taxa de 8,8 casos por 100 mil habitantes, o menor índice desde 1999, ano em que o total de homicídios passou a cair em São Paulo. Em compensação, São Paulo também registrou em fevereiro crescimento nos roubos em geral (3%) e roubo de carros (17%). O crescimento das duas modalidades de crimes se concentrou nas periferias (veja mais abaixo).

O delegado-geral da Polícia Civil, Marcos Carneiro Lima, diz que a solução para o crescimento dos roubos passa pelo fortalecimento da cultura de investigação nas delegacias de bairro. Nos últimos anos, ele explica, as delegacias também eram locais para aprisionamento de bandidos. No Capão Redondo, na zona sul, por exemplo, o distrito policial tinha quase 300 presos, o que obrigava metade dos policiais a tomar conta dos detentos.

Com a retirada dos presos das carceragens, os policiais civis das delegacias de bairros passam a distribuir a investigação com as delegacias especializadas. "Cabe às delegacias de bairros investigar roubos de residência, em comércios, roubo e furto de veículos. Já homicídios, desmanches, falsificação de documentos, chassis e atuação de quadrilhas especializadas ficam com as especializadas", diz.

O coronel Álvaro Batista Camilo, comandante-geral da Polícia Militar, acredita que a chegada de 200 novas bases comunitárias também deve contribuir para a redução dos casos de roubos. Entre as instaladas, 13 ficaram no Morumbi, bairro que já registrou em fevereiro queda de roubos (-10%) e de roubo de veículos (-15%).

"As operações focadas, como a Cavalo de Aço, voltada ao combate às motos, principal veículo usado em assaltos, também são importantes. Os ladrões, que antigamente iam na garupa, agora vão em mais de uma moto para driblar a blitz. Mas a polícia também é ágil e já mudou a estratégia", diz.

Crime organizado. Apesar do crescimento dos roubos de carro, outros crimes que envolvem maior planejamento e organização dos ladrões registraram queda no primeiro bimestre no Estado. É o caso do roubo de cargas (-7%), roubo a bancos (-15%) e sequestros (-14%). A extorsão mediante sequestro, aliás, registrou neste bimestre a menor quantidade de casos dos últimos dez anos, com 6 ocorrências.

Nos dois primeiros meses deste ano, a polícia também apresentou melhora na produtividade. Os flagrantes de tráfico de drogas aumentaram 22%. Também cresceu o total de prisões (12%) e de armas apreendidas (3%).

A ida de policiais que trabalham nos escritórios para as ruas pode ajudar a melhorar os resultados, na opinião do coronel. "Por causa do investimento em tecnologia, conseguimos liberar o efetivo do setor administrativo para que eles fiquem no patrulhamento das ruas da cidade pelo menos uma vez por semana."

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