SP registra calor recorde e chuva após 63 dias

A madrugada de ontem foi ainda mais quente do que as noites de verão dos últimos 33 anos; no interior, vendaval causou falta de luz

CAMILA BRUNELLI, O Estado de S.Paulo

20 Setembro 2012 | 03h04

No mesmo dia, São Paulo registrou ontem a maior temperatura de madrugada desde 1979 (25,7°C) e a primeira chuva após 63 dias. Os meteorologistas dizem que a cidade terá temporais e rajadas de vento amanhã e o fim de semana será de frio, com temperaturas entre 15°C e 20°C.

A virada do clima, com direito a extremos de temperatura nesta semana, é consequência da aproximação de uma forte frente fria que vem do Sul. "É comum, por exemplo, que pouco antes da chegada de uma frente fria haja tardes e noites quentes e abafadas. Como já vínhamos vivenciando dias de ar quente e seco, a atmosfera se aquece ainda mais ", explicou o meteorologista da Climatempo, Marcelo Pinheiro, para justificar o recorde na história das medições do Inmet de madrugada. "Como não tem vento vindo do oceano, os ventos predominantes são os do interior do Brasil, de ar quente. Isso tudo se somou."

A madrugada de ontem foi ainda mais quente do que as noites de verão dos últimos 33 anos. Isso porque durante a estação mais quente do ano há uma certa frequência de temporais, como destacam os especialistas. "Como já estávamos havia mais de 60 dias sem chuva, o interior do Brasil armazenava muito calor. Era preciso que uma frente fria mais forte, como essa que acabou chegando, para que houvesse a mudança de padrão dos ventos e eles deixassem de vir do interior e passassem a soprar do oceano", descreveu o meteorologista do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), Marcelo Schneider.

Ele afirmou também que não é possível relacionar as altas temperaturas - principalmente durante o inverno - ao fenômeno do aquecimento global. "Ainda estão sendo realizados estudos, é cedo para falar sobre a relação entre um fenômeno e outro."

Trovoadas. Na noite de ontem, o extremo sul da capital e alguns pontos das zonas oeste e norte registraram fortes pancadas de chuva, com raios e trovoadas. A Defesa Civil Municipal informou que as precipitações podem vir acompanhadas de rajadas de vento, descargas elétricas e eventual queda de granizo, elevando o potencial de transtornos na capital.

Por causa do grande período de estiagem, as chances de ocorrer transbordamento de córregos é baixa, mas meteorologistas da Somar Meteorologia esperam elevada precipitação até amanhã, com potencial para alagamentos entre a Grande São Paulo, Vale do Paraíba e sul de Minas.

A chuva vai perder a força no fim de semana, mas o tempo permanece nublado e as temperaturas ficam amenas até segunda.

Interior. No interior paulista, a mudança do clima foi marcada pelos fortes ventos, acima dos 70 km/h. Eles atingiram a região nordeste do Estado no fim da tarde e deixaram mais de 40 mil imóveis sem energia elétrica em Ribeirão Preto, Araraquara, Barretos, Franca, Jaboticabal, São Carlos e São Joaquim da Barra, conforme a CPFL. Mais perto da capital, as rajadas derrubaram árvores e deixaram 18,2 mil casas sem energia em Jundiaí, Sorocaba, Salto e São Roque. Sorocaba já havia sofrido os efeitos da seca: três grandes focos de incêndio destruíram pelo menos 300 hectares de matas e plantação de eucalipto às margens da Rodovia Castelo Branco, entre a noite de terça-feira e a tarde de ontem.

Alerta geral. Ainda na tarde de ontem, a Defesa Civil Estadual encaminhou para todas as regiões de São Paulo um comunicado alertando sobre a ocorrência de temporais, o que deve se repetir pelo menos hoje e amanhã. /COLABORARAM JOSÉ MARIA TOMAZELA, RICARDO BRANDT e RENE MOREIRA, ESPECIAL PARA O ESTADO

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