JB Neto/AE
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SP registra 3 acidentes por dia com botijão

Ontem, um vazamento de gás seguido por explosão em padaria feriu oito pessoas

Diana Dantas, Mônica Pestana e Viviane Biondo, O Estado de S.Paulo

06 de outubro de 2010 | 00h00

Um sobrado na Rua Padre Manuel da Nóbrega, no bairro Terceira Divisão, zona leste de São Paulo, explodiu às 4h30 de ontem, por causa de um vazamento de gás. Oito pessoas ficaram feridas - três soterradas - e uma casa vizinha precisou ser interditada. São Paulo registra, em média, três acidentes com botijões por dia.

Houve 1.363 ocorrências somente no ano passado, 99 com fogo e 1.264 sem. Neste ano, de janeiro a setembro, foram mais de 855 chamados. Os números dos bombeiros refletem o desrespeito a um decreto municipal de 1987, que obriga todas as edificações das vias paulistanas por onde passa a rede da Companhia de Gás de São Paulo (Comgás) a se adaptar ao sistema canalizado, e a falta de fiscalização mais rigorosa do poder público.

No caso da explosão de ontem, sobravam problemas. No primeiro andar do sobrado funcionava uma pequena panificadora, onde ainda eram vendidos botijões sem autorização da Prefeitura. Pela Subprefeitura de São Mateus, a casa está localizada em área irregular, em processo de regularização.

João Evangelista, de 45 anos, dono da padaria, provavelmente tinha acabado de pôr a primeira fornada de pães para assar quando ocorreu a explosão, segundo a mulher, Ivanira de Souza Silva, de 42, que dormia na hora da explosão. Evangelista acabou soterrado. Conforme os bombeiros, uma faísca provocou a explosão. O casal morava no local com os três filhos havia 12 anos.

Uma família de inquilinos alugava o andar intermediário e pretendia mudar-se em breve. "Saí com os meus netos por uma janela dos fundos da casa", contou a aposentada Edite Santos da Silva, de 71 anos.

Causas. Os bombeiros ainda investigam a causa da explosão. Mas a falta de manutenção dos acessórios que compõem o botijão, como a mangueira, as abraçadeiras e o regulador de pressão, que também têm de seguir normas de segurança, são os principais motivos de acidentes desse tipo. A origem dos botijões também é relevante. "Existem muitos que são clandestinos. Não podem vir amassados nem enferrujados. O ideal é que sejam de uma empresa conhecida, com um telefone para ligar em caso de emergência", orienta o tenente Marcos Palumbo, do Corpo de Bombeiros.

Quanto ao gás canalizado, a Comgás confirmou que, há um ano e meio, criou um programa para incentivar a expansão de clientes, que só na capital atingem cerca de 800 mil residências. A empresa custeia integralmente a instalação na rua e no edifício, caso seja aprovada previamente por um estudo de viabilidade. A conversão do fogão e a instalação do aquecedor de água (o aparelho precisa ser comprado) também são de graça para o paulistano.

Fiscalização e legislação. A fiscalização de gás só é realizada por meio de denúncias, pelas subprefeituras e pelo Departamento de Controle do Uso de Imóveis (Contru), nos casos de edificações acima de 1.500 metros quadrados de área, prédios residenciais com mais de 27 metros e locais de reunião com capacidade a partir de 500 pessoas.

Embora o decreto de 1987 não estipule nenhuma penalidade por uso inadequado de botijões, as subprefeituras tomam por base a Lei 9.433, de 1982, para todas as normas de segurança de edificação - como o manejo adequado de gás. Ela estabelece multas para as edificações que não se adaptarem às regras. Já o Contru não emite documentos de regularizados, caso o decreto não seja cumprido.

GNV

O vazamento de gás natural veicular (GNV) de um posto de gasolina provocou uma explosão, às 13 horas de ontem, na Rua Bernardino de Campos, na região do Paraíso. Não houve feridos.

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