SP quer transferir serviço funerário para tendas

Prefeitura vai desativar base na Vila Maria, mas informa que ações ainda estão em estudo; intenção criaria logística mais enxuta

ADRIANA FERRAZ, O Estado de S.Paulo

06 Março 2012 | 03h04

A Prefeitura de São Paulo vai desativar a base do serviço funerário da Vila Maria, na zona norte. Em uma área de mais de 2 mil metros quadrados, funcionam o depósito de caixões, a gráfica, a oficina dos rabecões e o arquivo que reúne toda a documentação dos óbitos registrados desde a década de 1960. Parte dos serviços deixará de existir e parte será abrigada em dois novos polos de atendimento, que funcionarão em tendas.

O espaço, concedido ao Serviço Funerário, chegou a abrigar a fábrica municipal de caixões, que produzia para todos os cemitérios da cidade. Hoje, só abriga o depósito. Com a mudança, a distribuição passará a ser feita diretamente nos cemitérios. O arquivo também deve ser dividido.

Segundo a Prefeitura, o projeto de reformulação do serviço funerário ainda está em estudo, mas visa a adequar a estrutura logística a um estoque mais enxuto, eliminando "estruturas operacionais e físicas que se mostram obsoletas".

Segundo o secretário municipal de Serviços, Dráusio Barreto, o terreno será ocupado, ainda neste ano, por quatro novas centrais de triagem de lixo reciclável. "Elas serão mantidas pela Loga, uma das concessionárias responsáveis pela coleta seletiva na cidade", diz Barreto.

Reação. Para os funcionários, a desativação da base é uma retaliação à greve promovida no ano passado e representa o começo de um processo de terceirização do serviço funerário municipal. A paralisação obrigou a Prefeitura a escalar guardas-civis para ajudar no transporte dos corpos e sepultamentos públicos.

Segundo o sindicato dos funcionários municipais (Sindsep), cerca de 60% a 70% dos funcionários da Vila Maria moram na zona leste, com fácil transporte para o bairro, o que inviabilizaria transferências para unidades distantes. "O que vai acontecer é um despejo. Os cemitérios não têm espaço para receber essa estrutura nem os servidores. Vão colocar documentos em tendas? Não é seguro", afirma Regina Estrobel, diretora da entidade.

A secretaria rebate as críticas e diz que a mudança descentralizará o atendimento, proporcionando uma "significativa melhora no tempo de resposta no atendimento à população". Segundo a pasta, os serviços ficarão mais ágeis, eficazes e estruturados, economizando deslocamentos, facilitando a cobertura a todas as regiões da cidade e também contemplando um ambiente de trabalho mais saudável e adequado aos seus funcionários.

Os novos polos de atendimento, segundo a Prefeitura, ainda não têm endereço definido, mas ficarão nas zonas norte e leste. Ambos devem funcionar em cemitérios públicos. O Município também não explicou qual será o formato dessas tendas, apenas que elas obedecerão a "modernos padrões de gestão pública", respeitando requisitos de segurança, acessibilidade e vigilância sanitária e primando pelos princípios da economicidade.

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