SP quer tecnologia espanhola para acelerar o metrô

Governos municipal e estadual pretendem criar 13 km de linhas por ano; ideia do convênio é também reduzir intervalo entre trens

KARLA MENDES , ESPECIAL PARA O ESTADO , MADRI, O Estado de S.Paulo

17 Março 2012 | 03h01

A Prefeitura e o governo do Estado de São Paulo buscam, em conjunto, uma forma de acelerar as obras do metrô na capital paulista, para a construção de 90 km de linhas até 2018. Como primeiro passo, vão assinar um convênio com o governo espanhol para que as empresas Metro Madrid, Renfe e Aves - responsáveis pelo sistema de transporte por trens em Madri - participem do plano metropolitano, que prevê investimentos de R$ 60 bilhões até 2018.

"Há uma demanda reprimida, pois durante 32 anos foram construídos apenas dois quilômetros de linhas por ano. Queremos alcançar 13 km por ano", ressaltou ao Estado o vice-governador de São Paulo, Guilherme Afif Domingos. A meta já havia sido anunciada no ano passado pelo governador Geraldo Alckmin (PSDB), na apresentação do Plano Plurianual (PPA), mas sem que fossem dados mais detalhes.

Outros dois itens do modelo espanhol que serão incorporados em São Paulo vão buscar aliviar a lotação e ampliar a segurança. A ideia é estabelecer nas novas linhas o sistema computadorizado de controle e as portas de vidro externas automáticas, que se abrem de forma simultânea às portas dos trens, fechando o vão existente entre o trem e as áreas de embarque e desembarque, o que conferirá maior segurança.

O sistema computadorizado de monitoramento do metrô de Madri fará o intervalo entre um trem e outro reduzir o tempo de espera em São Paulo em pelo menos 20%. "Uma redução nesse patamar já é expressivo em termos de eficiência, pois aumenta a frequência e a capacidade de rede para desafogar o sistema, que está sobrecarregado e precisa dar um salto", observou, em Madri, o secretário adjunto de Relações Internacionais da Prefeitura, Guilherme Mattar.

As linhas. O mais recente plano de investimentos da Companhia do Metropolitano de São Paulo (Metrô), ao qual o Estado teve acesso, indica que no próximo ano o governo estadual espera entregar a Linha 5-Lilás até a Estação Adolfo Pinheiro e a expansão da Linha 2-Verde (monotrilho) da Vila Prudente até a Estação Oratório. Para 2014, essa mesma Linha chegará até São Mateus e o monotrilho da Linha 17-Ouro vai ligar o Morumbi a Congonhas. Já para 2015, a Linha Lilás será estendida até a Chácara Klabin e a Linha 18-Bronze vai levar da Estação Tamanduateí até o Paço Municipal de São Bernardo do Campo.

A gestão Alckmin também quer encaminhar o início da construção da Linha 6-Laranja, que vai da Estação São Joaquim, já existente na Linha 1-Azul, a uma futura estação em Brasilândia, na zona norte. "Nosso objetivo é aumentar a capacidade e o conforto dos trens e integrar o sistema de metrô e a Companhia Paulista de Trens Metropolitanos (CPTM)", destacou Mattar.

Know-how. "Madri bateu recordes para construir as suas linhas de transporte. Então, nós estamos firmando uma parceria exatamente para levar esse modelo", revelou Afif Domingos. Com o agravamento da crise europeia, sobretudo na Espanha, Afif ressalta que essa parceria é uma grande oportunidade de negócios para o País, pois há ociosidade das empresas. "Eles têm gente e know-how. E têm dinheiro também. Ficou muito claro que existe uma imensa oportunidade de investimento, pois nós hoje temos carência de engenheiros para a execução de projetos", afirmou.

O Brasil, segundo ele, não tem profissionais suficientes para conduzir a aceleração dos projetos. "A forma de nós suprirmos essa carência é por meio dessa joint venture internacional, em que nós podemos absorver a capacidade ociosa das empresas europeias e levar uma cultura nova para a nossa engenharia. Precisamos dar um novo salto", enfatizou Afif. Grande investidor no Brasil, o Banco Santander vai ajudar a viabilizar a proposta, segundo o vice-governador.

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