Sergio Neves/AE
Sergio Neves/AE

SP quer garagem em terreno do Itaim

Em apresentação do projeto no Condephaat, Prefeitura cita vagas subterrâneas para carros como contrapartida à venda de quarteirão

Adriana Ferraz, O Estado de S. Paulo

26 de setembro de 2011 | 22h45

SÃO PAULO - A Prefeitura de São Paulo estuda a construção de uma garagem subterrânea no quarteirão em disputa no Itaim-Bibi, zona sul. A obra seria uma forma de mitigar os impactos que uma possível venda do terreno de 20 mil metros quadrados para a iniciativa privada, que pretende levantar até quatro torres residenciais no local, deve provocar sobre o tráfego da região, já carente de vagas de estacionamento.

A ideia foi apresentada ontem pelo secretário municipal do Desenvolvimento Econômico e do Trabalho, Marcos Cintra, em reunião do Conselho do Patrimônio Histórico e Arquitetônico do Estado (Condephaat). O órgão avalia pedido de tombamento do terreno apresentado por um conjunto de moradores do bairro para impedir a venda pretendida pela Prefeitura. O processo de alienação (transferência de bens) do terreno está suspenso pela Justiça em razão do processo de tombamento em curso.

O quarteirão é delimitado pelas Ruas Horácio Lafer, Salvador Cardoso, Cojuba e Lopes Neto e está em uma das regiões mais cobiçadas pelo mercado imobiliário, na qual o valor do metro quadrado chega a R$ 18 mil.

A estimativa é de que o lote possa ser negociado por R$ 200 milhões. Pelo projeto da Prefeitura, a empresa que vencer a licitação e ficar com o terreno terá de erguer 200 creches no Município para amenizar o déficit de vagas na rede. Hoje, 147 mil crianças aguardam na fila.

Apresentação. Cintra foi convocado para argumentar, em nome da Prefeitura, porque a gestão Gilberto Kassab (sem partido) é contra o tombamento do quarteirão. Na exposição aos conselheiros do Condephaat, o secretário foi questionado sobre as contrapartidas que serão exigidas pelo poder público e, então, citou a construção da garagem, sem apresentar detalhes nem prazos. Mas confirmou que os custos seriam assumidos pela empresa vencedora na disputa.

Ao Estado, Cintra disse que a construção da garagem atenderia a população local e também os frequentadores do Parque do Povo, que utilizam carros e já enfrentam dificuldades para estacionar, principalmente nos fins de semana. "Essa poderia ser uma das soluções inteligentes para atender uma demanda do bairro e, ao mesmo, mitigar os efeitos sobre o trânsito", afirmou o secretário.

Por enquanto, o projeto que prevê a venda do quarteirão está parado. A área abriga oito equipamentos públicos, como escolas e posto de saúde. "Não podemos fazer nada no local atualmente, por isso, essa ideia de construir uma garagem não foi detalhada ainda. Mas ela seria uma contrapartida dentro dos parâmetros que vamos estabelecer no projeto final, caso a venda seja autorizada", afirmou Marcos Cintra.

Para os moradores que lutam contra a negociação da área, a proposta só vai servir para levar mais carros e movimento à região. "A intenção oficial é aliviar o trânsito, mas, oferecendo um maior número de vagas de estacionamento, a Prefeitura vai atrair mais carros e piorar o tráfego", diz Helcias de Pádua, presidente do movimento SOS Itaim.

Segundo Pádua, a exposição do secretário acabou sendo favorável ao pedido de tombamento dos moradores. "Ele não apresentou um argumento contrário. Só se limitou a defender a venda do terreno."

Cintra se justificou dizendo que essa é uma decisão técnica, que cabe aos conselheiros. "Fui lá para explicar o projeto, não para dizer se a área tem ou não valor para ser tombada. Mas essa decisão deve ser rápida. Temos 147 mil crianças esperando."

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