FELIPE RAU/ESTADAO
FELIPE RAU/ESTADAO

Prefeitura de SP promete 10 novos parques até o fim de 2020; veja lista

A instalação dos equipamentos custará R$ 29 milhões; relação inclui o Augusta, no centro, com longa história de disputas

Priscila Mengue, O Estado de S.Paulo

14 de setembro de 2019 | 08h00
Atualizado 16 de setembro de 2019 | 16h52

SÃO PAULO - Um quadradinho verde no meio do concreto. Visto de cima, o terreno do Parque Augusta é cercado pelas centenas de edifícios do centro de São Paulo e algumas árvores esparsas. Com abertura prevista para o ano que vem, o Augusta é um dos mais de 120 espaços da cidade que têm a transformação em parque prevista por lei (Plano Diretor) desde 2014. Todos foram classificados como “em instalação” ou “em planejamento” há cinco anos, mas apenas três foram inaugurados até agora.

O Plano de Metas, divulgado em abril, prevê dez novos parques até o fim da gestão Bruno Covas (PSDB), em dezembro de 2020. A lista com os selecionados é discutida no Conselho Municipal do Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável (Cades) desde junho e foi confirmada pela Prefeitura de São Paulo ao Estado.

Os novos parques previstos em São Paulo são:

  • Augusta, no centro;
  • Linear Água Podre, no Butantã, na zona oeste;
  • Jardim Primavera, em Ermelino Matarazzo, na zona leste,
  • Nair Bello, em Itaquera, na zona leste;
  • Alto da Boa Vista, em Santo Amaro, na zona sul;
  • Jardim Apurá/Búfalos, na Pedreira, na zona sul
  • Nascentes do Ribeirão Colônia, em Parelheiros, na zona sul;
  • Linear Itapaiúna, na Vila Andrade, zona sul;
  • Paraisópolis, na Vila Andrade, na zona sul;
  • Aristocratas, no Grajaú, na zona sul. 

Segundo a gestão municipal, a implementação dos dez parques custará R$ 29 milhões. Do total, um está praticamente pronto, outro, com a obra em execução e um terceiro, em licitação. Os demais estão com projeto em desenvolvimento e um deles aguarda decisão judicial. 

A lista não traz projetos para a zona norte. Também não inclui o Parque Minhocão, no Elevado Presidente João Goulart, cuja primeira fase de transformação está prevista para 2020. O projeto do Parque Minhocão é desenvolvido principalmente pela Secretaria de Desenvolvimento Urbano e não pela do Verde e Meio Ambiente.

 “Todos (os dez) já tinham algo em andamento e têm total possibilidade de serem implementados até o fim de 2020”, diz Tamires Carla de Oliveira, coordenadora de Gestão de Parques e Biodiversidade (CGPABI) na Prefeitura. Ela estima que o Nascentes do Ribeirão Colônia é o único que será inaugurado neste ano, pois está concluído e já recebe algumas atividades. “Está no processo de fazer a programação para poder finalmente abrir, falta mobiliar”, aponta. 

O espaço fica no antigo terreno de um clube, cujas instalações receberão atividades de uma escola de agroecologia, da Universidade Aberta do Meio Ambiente e da Cultura de Paz (que continuará com a sede principal no Ibirapuera), e de um coworking. Dos novos parques, é o que tem maior biodiversidade, com 61 espécies de fauna (19 exclusivas de Mata Atlântica) e 98 de flora (quatro ameaçadas de extinção).

O Alto da Boa Vista também se destaca pela biodiversidade, com fauna de 62 espécies. Ele está em terreno alvo de disputas judiciais e suspeitas de fraudes por décadas antes da posse definitiva pelo Município. 

“O bairro tem mais árvores nas casas, nas propriedades. Não tem um parque público por aqui. Se você quiser caminhar, precisa andar na rua, e a gente tem medo também”, diz a professora aposentada Jacy Ghitorri, de 69 anos, da Associação dos Amigos do Bairro do Alto da Boa Vista (Sababv). “Era para se chamar ‘Parque 450 Anos’, por causa dos 450 anos de São Paulo (hoje com 465). Demora.”

Outro parque com história de disputas é o Augusta, cujo terreno teve a escritura de posse da Prefeitura assinada neste ano. O projeto incluirá cachorródromo, deck, redário e o restauro da antiga Casa do Bosque e do portal da Rua Caio Prado, ambos tombados. “O acordo passou a ser contabilizado em maio, aí oficialmente os projetos começaram a ser produzidos. A previsão é começar alguma coisa até o final (do ano) para ser entregue no primeiro semestre de 2020”, diz Tamires.

Para a advogada Célia Marcondes, da Sociedade dos Amigos e Moradores do Cerqueira César (Samorcc), a abertura do Parque Augusta é de “fundamental importância”. Segundo ela, que também defende “descanalizar” parte das águas que passam debaixo da Augusta, o equipamento é um oásis em meio ao concreto paulistano.

A lista traz ainda três parques lineares, que são os criados em áreas de preservação permanente. Um deles é o Água Podre, cuja primeira fase de implantação será nas nascentes do riacho de mesmo nome, perto do Centro Educacional Unificado (CEU) Butantã. 

“A ideia é que sirva de equipamento pedagógico”, explica Tamires. “A fase 2 é um processo um pouco mais complicado, por envolver uma série de atores, como a Siurb (Secretaria Municipal de Infraestrutura Urbana e Obras), a Sabesp (Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo), a Sehab (Secretaria Municipal de Habitação).”

A subprefeitura de Campo Limpo é a única que receberá dois parques até 2020. O Paraisópolis está em licitação, enquanto que o Linear Itapaiúna será criado com recursos privados por meio de um acordo semelhante ao do Parque Augusta. “O Aristocratas está em fase de projeto, é uma área pequena, com campo futebol e terá oficinas com a população.”

Maioria dos novos parques se concentra na periferia de SP

Entre os parques que devem ser abertos, a maioria está em áreas periféricas. O Jardim Apurá, por exemplo, mais conhecido como Búfalos, é o maior dos dez novos, com uma área equivalente a um terço do Parque do Ibirapuera. “Ele ficou fragmentado (em três) pelas unidades habitacionais. Vai ser uma gestão complicada”, aponta Tamires. “Praticamente um parque com quase 20 mil pessoas morando dentro.”

Na zona leste, o Jardim Primavera está concluído há sete anos, mas permanece fechado. A abertura depende de um decisão judicial envolvendo questões ambientais, por estar no terreno de um antigo aterro sanitário. Já o Nair Bello está em desenvolvimento, mas deve ter um “projeto bastante simples”, segundo Tamires, por ser uma área de afluentes do Rio Aricanduva.

A concentração dos parques na região periférica se explica especialmente pelo menor custo e maior variedade de terrenos, como aponta o urbanista Matheus Casimiro, que pesquisa parques urbanos no doutorado pela Mackenzie e é ex-diretor da Divisão de Projetos e Obras da Secretaria Municipal do Verde e Meio Ambiente. “O grande problema para implantar é o valor da terra. A periferia é onde tem terra disponível e barata. A gente vê a epopeia que foi o Augusta.”

Dessa forma, os projetos mantêm um viés social por se voltar a bairros de classe baixa e áreas com necessidades mais locais de recuperação ambiental. Casimiro aponta que uma análise macro da cidade indicaria a necessidade de novos parques também nas subprefeituras da Mooca, uma das de menor cobertura vegetal, e da Casa Verde, que não tem parques. 

Já Marta Grostein, professora de Urbanismo da Universidade de São Paulo (USP), diz que “faz todo sentido investir na periferia” e que os novos parques têm potencial de atrair também moradores de bairros vizinhos. “São parques regionais na minha compreensão. Em regiões de alta densidade e ocupação precária, pode funcionar quase como uma sala de visitas, como um espaço de convívio integrado a atividades cotidianas.”

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