SP: Polícia investiga omissão de socorro a homem que morreu após buscar hospital

Vigilante chegou passando mal a unidade particular de Itaquera, mas não foi atendido

O Estado de S.Paulo

19 Julho 2014 | 15h00

Atualizado às 19h14.

SÃO PAULO - A Polícia Civil de São Paulo investiga suposta omissão de socorro a um vigilante de 48 anos que morreu depois de procurar um hospital particular em Itaquera, na zona leste, na noite de quarta-feira, 16.

Segundo informações do boletim de ocorrência, registrado no 53.º DP (Parque do Carmo), o vigilante Nelson França se sentiu mal quando estava dentro de uma lotação e foi deixado pelo cobrador do veículo na frente do Hospital Santo Expedito. Passando mal, ele caiu no estacionamento do centro médico, a cerca de 150 metros da entrada da unidade.

Vídeo divulgado neste sábado, 19, pelo jornal SPTV, da TV Globo, mostra França agonizando no chão, pedindo socorro e dizendo que estava morrendo, sem que nenhum funcionário do hospital o socorresse.

Enfermeiros chegaram a sair do prédio e ir até o estacionamento, mas nada fizeram. Segundo relato de uma testemunha à polícia, um dos enfermeiros não teria autorizado que os colegas fizessem o atendimento do lado de fora do hospital.

A única ação tomada pela equipe do hospital foi acionar o Corpo de Bombeiros, que encaminhou uma unidade de resgate ao local. Os agentes da corporação prestaram os primeiros socorros e encaminharam o paciente para o Hospital Municipal Waldomiro de Paula, também em Itaquera.

Segundo a Secretaria Municipal da Saúde, o homem já chegou morto ao local, na madrugada de quinta-feira. Médicos tentaram reanimá-lo, mas não tiveram sucesso.

Explicações. À polícia, o enfermeiro que teria proibido a equipe de socorrer França disse que prestou os primeiros socorros enquanto aguardava a chegada dos bombeiros.

Em nota, a direção do Hospital Santo Expedito informou que determinou abertura de sindicância para apuração do ocorrido. “Caso seja apurada a responsabilidade de algum profissional, a diretoria não hesitará em punir com rigor os eventuais envolvidos, colocando-se à disposição das autoridades policiais e do respectivo conselho de enfermagem”, diz o texto.

A direção da unidade informou ainda que “não corrobora de forma alguma com qualquer tipo de omissão de seus profissionais” e destacou que “nunca deixou de atender” vítimas de problemas graves, como tiros, acidentes de trânsito e enfarte, mesmo quando estes não tinham qualquer tipo de convênio médico.

O hospital disse também que, caso o cobrador do lotação tivesse entrado com o paciente no pronto-socorro da unidade, o fato “não teria acontecido”. Para a direção, “Nelson França foi irresponsavelmente abandonado” pelo cobrador.

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