SP poderá ter 'piscinão reversível'

Ideia é fechar reservatórios para que sejam usados como área de lazer e campo de futebol; de 8 prometidos pelo governo, só 2 estão em construção

NATALY COSTA, O Estado de S.Paulo

14 Março 2013 | 04h16

Para evitar que os piscinões virem um local degradado fora do verão, quando não estão sendo usados, o governo quer um novo tipo de reservatório: o piscinão 'reversível', com tampões para que as prefeituras possam utilizá-los como área de lazer, como praças ou campos de futebol.

O Estado mostrou em janeiro do ano passado que o reservatório do Guaraú, na zona norte de São Paulo, estava tomado por usuários de crack e, em períodos sem chuva, transformava-se em ponto de tráfico de drogas. A ideia do governo é que pelo menos cinco dos oito novos piscinões prometidos pelo Estado para ficarem prontos até 2014 tenham esse recurso.

"Normalmente, a prefeitura cede o terreno para o piscinão e esse lugar, quando não enche, é campo de futebol, área de lazer. Isso faz falta na Grande São Paulo", afirma o secretário estadual de Planejamento e Desenvolvimento Regional, Júlio Semeghini. "Quando vira piscinão, o pessoal do bairro gosta porque combate a enchente, mas reclama de perder o espaço. Então vamos fazer tampado para devolver à comunidade", disse.

Além dos oito prometidos pelo governo, outros sete piscinões novos deverão ser construídos por meio de uma parceria público-privada (PPP), cujo edital está prometido para sair ainda neste mês.

A empresa que ganhar também vai operar, além dos 15 novos, outros 30 reservatórios já existentes na Região Metropolitana e atualmente operados pelo Departamento de Águas e Energia Elétrica (DAEE).

"Hoje temos um problema terrível. Cai uma chuva na sexta-feira à noite, os piscinões ficam lotados. E se chover de novo sábado e domingo? O impacto é pior, porque você não tem na estrutura pública capacidade de manter limpo os piscinões, gente que trabalhe no fim de semana, 24 horas", afirmou Semeghini. "Então, na nossa PPP, quem ganhar será obrigado a fazer o monitoramento do fluxo de água, limpeza, esvaziar o piscinão o tempo todo."

Pressa e atraso. O plano inicial, divulgado pelo governo, era ter os 15 novos piscinões prontos em 2018. Mas a ordem agora é entregá-los até o fim do mandato do governador Geraldo Alckmin (PSDB). "Vamos fazer até 2014. Queremos entregar todos, deixar só um ou outro para 2015. Alguns ainda estão com problema de terreno", afirmou.

As obras dos piscinões que estão a cargo do governo estadual, no entanto, andam devagar. Dos oito prometidos para serem construídos, apenas dois foram começados. E só um tem previsão para ser inaugurado este ano: o Olaria, no córrego de mesmo nome, em Campo Limpo, na zona sul de São Paulo. A licitação foi lançada em 2009.

O outro que está em fase de obras é o Guamiranga, na bacia do Rio Tamanduateí, na zona leste, licitado em 2011. A entrega está prevista para outubro de 2014. Os demais piscinões estão "em processo para construção".

Especialistas desconfiam se esse tipo de obra de fato combate enchentes. "Tem dezenas de piscinões na bacia do Tamanduateí e ali continua enchendo. É um problema urbanístico também", diz Luis Fernando Orsini, coordenador do Centro Tecnológico de Hidráulica e Recursos Hídricos (CTH) da USP.

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