André Dusek/Estadão
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SP pede R$ 17 bi para obras de mobilidade

Alckmin e Haddad apresentaram projetos à ministra do Planejamento; governo federal discute com Estados distribuição de pacote de R$ 50 bi

Leonencio Nossa/Brasília, O Estado de S.Paulo

09 de julho de 2013 | 02h01

Diante da pressão dos protestos por qualidade de transportes, o governo federal recebeu ontem governadores e prefeitos das capitais de São Paulo, Rio e Bahia para discutir a distribuição de R$ 50 bilhões em investimentos em mobilidade urbana, mas ao longo do dia, só liberou promessas. O governador Geraldo Alckmin (PSDB) e o prefeito Fernando Haddad (PT) pediram R$ 17,3 bilhões. A ministra do Planejamento, Miriam Belchior, disse que os projetos ainda serão analisados.

Para o Rio, o governador Sérgio Cabral (PMDB) e o prefeito Eduardo Paes (PMDB) pediram R$ 4,3 bilhões. Para a Bahia, o governador Jaques Wagner (PT) e o prefeito de Salvador, Antonio Carlos Magalhães Neto (DEM), solicitaram de R$ 5 bilhões à ministra. Nesta semana, Miriam ainda receberá os governadores e prefeitos das capitais de Minas, do Paraná, do Ceará, de Pernambuco e do Rio Grande do Sul.

Alckmin pediu R$ 10,8 bilhões para prolongar três linhas (2-Verde e 5-Lilás de metrô e 9-Esmeralda de trem), reformar 30 estações de trem e criar dois corredores de ônibus do ABC a Guarulhos e de Campinas a Sumaré.

Por sua vez, Haddad voltou a pedir, como fez em um encontro na semana passada com a ministra, verba para construir 150 km de corredores de ônibus. "Todos esses projetos são de transporte de alta capacidade e qualidade", disse Alckmin, que terá de esperar pelo menos duas semanas para saber quais projetos serão atendidos.

O governo federal decidiu que os projetos deveriam ser discutidos diretamente pelos governadores e prefeitos, dispensando a apresentação de técnicos. O anúncio dos repasses será feito pela presidente Dilma Rousseff, que perdeu pontos nas pesquisas de popularidade após a onda de protestos que levou milhares de pessoas às ruas das principais cidades.

"As propostas apresentadas pelo Estado e pela Prefeitura (de São Paulo) estão em linha com a preocupação do governo em priorizar o transporte coletivo de massa, como metrôs, corredores, BRTs (bus rapid transit, um tipo de corredor para coletivos)", disse a ministra Miriam Belchior. "Ninguém trouxe aqui avenida para carros."

Saia-justa. Mesmo com todos os cálculos políticos, a série de entrevistas ontem na portaria do Ministério do Planejamento não evitou mal-estar e saia-justa. O ministro das Cidades, Agnaldo Ribeiro, que acompanhou as audiências, se entusiasmou com aquilo que chamou de "maior liberação de recursos em mobilidade urbana do mundo" e causou incômodo em colegas do PT. "Esses investimentos não existiam. Começamos esses investimentos em 2011."

Haddad, que foi ministro da Educação do governo Lula, defendeu depois, em entrevista, o ex-chefe: "Foi o presidente Lula quem iniciou os investimentos em mobilidade urbana".

Já o governador baiano foi o único a evitar entrevistas. Wagner alegou que estava atrasado para pegar o voo de volta para Salvador. É na capital da Bahia que está um símbolo das obras atrasadas na área de mobilidade urbana. O metrô de Salvador que começou a ser construído em 2000 era para ter sido entregue em 2003. Após seis anos no governo, Wagner ainda não conseguiu inaugurar a obra, que por muito tempo esteve sob responsabilidade da prefeitura.

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