SP não tem mais área de alto risco, diz Prefeitura

Moradores contestam anúncio e dizem que remoções são truculentas e feitas sem aviso

Adriana Ferraz, Bruno Ribeiro e Rodrigo Burgarelli, de O Estado de S.Paulo,

22 Outubro 2011 | 03h01

Às vésperas da temporada de chuvas, a Prefeitura de São Paulo anunciou ontem ter terminado a retirada de todas as 1.132 famílias que moravam em área de risco muito alto e precisavam ser removidas. Mas o plano, que não foi detalhado pelo Município, é contestado pelos moradores. Na região do Córrego Zavuvus, na zona sul, onde quatro pessoas morreram arrastadas no último verão, moradores afirmam que a ação ainda não terminou.

O número de remoções apresentado pela Prefeitura foi determinado pelo Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT), responsável pelo mapeamento das áreas de risco da capital. No começo do ano, o prefeito Gilberto Kassab (PSD) havia prometido a retirada total para junho.

O anúncio não significa que não existam mais pessoas morando em áreas de risco muito alto na capital. No mapeamento do IPT, realizado no ano passado, 28.933 famílias moravam em áreas de risco alto (R3) e muito alto (R4). O instituto avaliou que a maioria dessas casas não precisava ser removida, já que obras estruturais poderiam acabar com o risco de deslizamento e enchentes.

Em 1.132 casos, porém, o IPT recomendou a retirada completa dos moradores, por causa da impossibilidade de tirar o risco da área por meio de obras de engenharia. A Prefeitura afirma que todos os moradores retirados foram encaminhados para programas de habitação popular ou estão recebendo auxílio-aluguel.

Não foram divulgados, no entanto, os valores repassados nem o destino dessas famílias. Parte delas nega que tenha obtido o cadastro na Secretaria Municipal da Habitação e ainda reclama que as ações de remoção estão sendo realizadas sob ameaça.

As queixas foram relatadas em audiência pública realizada ontem na Câmara Municipal. "Essas ações exigem planejamento e, claro, não podem ser feitas com ameaça. Vamos relatar todas as queixas ao Ministério Público", disse o vereador José Américo (PT), que comandou o encontro.

Medo. As famílias que continuam em área de alto risco que não passaram por obras temem os efeitos das chuvas deste verão. Na Chácara Três Meninas, bairro da região de São Miguel Paulista, na zona leste, o líder comunitário Cristóvão de Oliveira, de 47 anos, diz que há famílias que ainda vivem em área de alto risco, às margens do Rio Tietê. "São casas que estão caindo, rachando, e os moradores continuam ali."

Ele não soube dizer o número exato nem se alguma família da área chegou a ser removida.

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