SP na Gaveta: USP espera museu 'vivo' do cerrado

Prometido para dezembro de 2011, o "museu vivo" do cerrado na Cidade Universitária, na zona oeste, se resume a apenas uma portaria assinada pelo reitor João Grandino Rodas. O espaço seria formado por uma das últimas reservas desse tipo de vegetação que sobraram na capital paulista. O núcleo do museu ficaria em um terreno de 3 mil m², ao lado do Instituto de Biociências. Segundo a Universidade de São Paulo (USP), o mapeamento das áreas terminará em 180 dias.

Diego Zanchetta e Rodrigo Burgarelli, O Estado de S.Paulo

12 de junho de 2012 | 13h24

1. Qual a importância do Museu do Cerrado para São Paulo?

Até quase o fim do século 18, parte da cidade era coberta por vegetação típica do cerrado. Mas o cerrado foi praticamente extinto com o avanço da urbanização, a partir do século 19. Um dos raros remanescentes dessa vegetação na capital estão dentro do câmpus da Universidade de São Paulo. O projeto do museu era criar também um bolsão de proteção ao que restou do cerrado e abrir uma trilha no local para visitação.

2. De quem foi a ideia de criar o espaço?

Logo após a reportagem do Estado revelar no ano passado que a USP cortaria 1.328 árvores para dar lugar a um complexo de museus, o colunista da Rádio Estadão ESPN Ricardo Cardim - que também é aluno de pós-graduação no Instituto de Botânica - foi até o local e constatou que uma significativa e rara área de cerrado estava localizada no entorno da obra. O trecho mais bem preservado, com uma variedade rara de língua-de-tucano e uma das poucas totalmente cobertas por capim-flecha do cerrado, estava dentro do perímetro a ser modificado pela construção.

3. O que foi feito depois?

Após uma série de reuniões entre estudantes e administração, a Coordenadoria de Gestão Ambiental prometeu preservar essas áreas por meio de um "museu vivo do cerrado", que seria aberto à visitação. Segundo promessa feita à reportagem em outubro de 2011, tudo já estaria pronto no dia 7 de dezembro daquele ano.

4. Como funcionaria o museu?

A coordenadoria prometia cercar o local do cerrado, identificar as espécies e, dessa forma, criar uma trilha aberta à visitação. A área também teria sua vegetação natural recuperada, com a retirada de espécies invasoras.

5. Porque o museu ainda não saiu do papel?

Segundo a assessoria, a portaria criando as reservas ecológicas foi publicada na semana passada. Em 180 dias, o levantamento topográfico e o mapeamento das áreas serão concluídos. Só depois disso é que serão feitos os planos de manejo - que vão determinar as regras de visitação e recuperação da vegetação.

A quem reclamar:

- Prefeitura de São Paulo: http://sac.prefeitura.sp.gov.br

- Ouvidoria Geral do Município: (11) 0800-175717/ (11) 3334-7132

- Ministério Público: (11) 3119-9000/e-mail ouvidoria@mp.sp.gov.br

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