Tiago Queiroz/Estadão
Tiago Queiroz/Estadão

SP: manifestantes bloqueiam Fernão Dias e incendeiam ônibus e caminhões

Protesto ocorreu por conta da morte de um adolescente de 17 anos por um policial na tarde deste domingo, 27; ônibus e caminhões foram incendiados, lojas, saqueadas, 1 homem acabou baleado e 90 pessoas foram detidas

O Estado de S. Paulo - Atualizado às 08h29 do dia 29/10

28 de outubro de 2013 | 19h52

SÃO PAULO - Violentos protestos contra a morte do adolescente Douglas Martins Rodrigues, de 17 anos, por um policial militar, no domingo, fecharam na segunda-feira, 28, a Rodovia Fernão Dias e provocaram uma onda de destruição no bairro do Jaçanã, na zona norte de São Paulo. Ônibus e caminhões foram incendiados e lojas, saqueadas. Um homem foi baleado. O tumulto na estrada federal fez com que o secretário estadual da Segurança Pública, Fernando Grella Vieira, ligasse para o ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, para estabelecer uma "ação conjunta". Noventa pessoas foram detidas e 34, encaminhadas ao 39º D.P (Vila Gustavo), segundo a PM. As demais foram liberadas.

A manifestação começou por volta das 18 horas, depois do enterro de Douglas. Os dois sentidos da rodovia foram fechados e ao menos cinco ônibus e três caminhões foram incendiados. Homens armados obrigaram passageiros e motoristas a descer dos veículos. Durante um saque a uma loja na Avenida Milton da Rocha, na Vila Medeiros, criminosos acabaram acertando um pedestre no abdômen. Ele foi internado no Hospital São Luis Gonzaga, onde passou por cirurgia.

Manifestantes assumiram um caminhão-tanque na contramão. Motoristas de veículos que estavam na estrada foram roubados, segundo a PM. Houve confronto, e a polícia usou bombas e balas de borracha para conter a multidão.

"Eu seguia pela Fernão quando de repente vi um ônibus pegando fogo no meio da pista. Um molequinho estava armado na frente dele e apontou a arma para mim, mandando eu parar", relatou o motorista José Floriano, de 50 anos. "Outras pessoas aparecerem do nada e começaram a jogar pedra nos caminhões. Eu só tive tempo de brecar e descer da carreta e corri a pé." Veículos também foram atacados na Marginal do Tietê, na altura da Ponte Imigrante Nordestino. Enquanto tentavam apagar o fogo em um ônibus, bombeiros foram apedrejados e precisaram de escolta de 15 homens da Força Tática.

De acordo com informações da Agência Brasil, o secretário da Segurança, Fernando Grella Vieira, solicitou ao ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, que a Força Nacional de Segurança atuasse no local. Grella, ainda segundo a agência, teria pedido que uma operação de inteligência seja montada pelo Ministério. As pastas confirmaram a conversa por telefone, mas, segundo Cardozo, ambos combinaram uma "ação conjunta", na tentativa de impedir novos atos de vandalismo. "Conversamos sobre a melhor articulação entre ações da Polícia Rodoviária Federal e da Secretaria da Segurança Pública", disse o ministro, sem dar mais detalhes. Nos bastidores, tucanos afirmaram que a Polícia Rodoviária Federal demorou para aparecer.

Nas ruas do Jaçanã e na Fernão Dias, manifestantes fizeram barricadas de fogo. Segundo a concessionária Autopista, às 20h50, a lentidão na rodovia ia do km 82 ao km 90. Por volta das 23h, a pista sentido capital havia sido liberada e na outra direção os motoristas seguiam pelo acostamento.

Enterro. O protesto começou após o enterro de Douglas, no fim da tarde de na segunda, no Cemitério Parque dos Pinheiros, também na zona norte. Na noite de domingo, a Vila Medeiros já havia sido cenário de protestos de vizinhos que ficaram revoltados com a ação da polícia. Na manifestação, com cerca de 300 pessoas, dois lotações, um ônibus e um carro foram incendiados e lojas foram saqueadas. A Polícia Militar interveio com bombas de gás e balas de borracha para dispersar a multidão.

Atribuições. A atribuição de resolver conflitos em estradas federais, como no caso da Fernão Dias, é da Polícia Rodoviária Federal, mas não se trata de uma atribuição exclusiva, segundo o especialista em segurança pública Guaracy Mingardi. "Havendo crime, qualquer policial tem a obrigação de intervir", explica. "Um não pode ficar esperando que o outro faça."

A jurisdição policial em estradas federais, segundo ele, ainda é "nebulosa". Mas, a princípio, não há nada que impeça a Polícia Militar (estadual) de atuar também nessas estradas, quando há um crime em andamento. /ARTUR RODRIGUES, BRUNO RIBEIRO, FABIO LEITE, MONICA REOLOM, HERTON ESCOBAR e VERA ROSA

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