Ernesto Rodrigues/AE
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SP ''importa'' talentos do Rio e Parintins

Especialistas da Festa do Boi são convocados para criar e operar carros alegóricos; carnavalescos cariocas dão toque de criatividade

Roberta Pennafort e Bruno Paes Manso, O Estado de S.Paulo

05 Março 2011 | 00h00

Europeus, orientais e nordestinos foram decisivos na construção da cidade do trabalho e da indústria. Mas, na hora de festejar, São Paulo também depende do apoio e da criatividade de profissionais importados do Rio e do Amazonas para colocar as escolas de samba na avenida. Neste carnaval, das 14 agremiações paulistanas no Grupo Especial, oito têm carnavalescos com larga experiência na festa carioca. Outros dois são de Parintins, cidade amazonense com tradição na Festa do Boi.

Os carnavalescos são a mente criativa por trás das escolas. Eles contam com técnicos e artistas, também vindos de fora, para tirar os projetos do papel. Se considerar todas as agremiações do Grupo Especial e de Acesso, há mais de 300 parintinenses, uma média de dez por escola, especializados em criar movimentos em carros alegóricos gigantes, pintar e soldar alegorias.

Aderecistas, marceneiros, escultores, projetistas e outros profissionais cariocas também ajudaram a tornar os carros alegóricos mais bem acabados e a formar pessoal.

"É claro que o carnaval de São Paulo não chega aos pés do carnaval do Rio. Mas algumas escolas ficam perto. Com pouco dinheiro, é preciso ter mais criatividade", afirma Amarildo de Mello, ex-Portela, atual carnavalesco da Unidos do Peruche, que ontem abriu o desfile em São Paulo. "O que falta aqui é uma cultura de carnaval maior. No Rio, as pessoas têm um time de futebol e uma escola de samba."

Além de Mello, engrossam a lista do intercâmbio Jorge Freitas - atual campeão - na Rosas de Ouro, Chico Spinosa na Tom Maior, André Machado na Pérola Negra, Fabio Campello na X-9, Delmo de Moraes na Nenê de Vila Matilde e Fabio Borges na Unidos de Vila Maria. Alexandre Louzada dá expediente na Vai-Vai e na Beija-Flor.

Os carnavalescos da Gaviões da Fiel, Zukson Reis, e da Mocidade Alegre, Marcio Gonçalves, são de Parintins. "Há uma aura em torno de quem já fez carnaval no Rio. Quando contratam, é por causa da grife", conta Fabio Borges, carnavalesco da Unidos de Vila Maria, goiano que passou sete anos no Rio e há outros sete se mudou para São Paulo.

Para quem está acostumado aos dispendiosos carnavais cariocas, o desfile paulistano impõe um desafio imediato: o orçamento. Em São Paulo, cada desfile sai em torno de R$ 2 milhões, enquanto no Rio partiu-se, no ano passado, de R$ 5,5 milhões. Para reduzir os custos, André Machado, da Pérola Negra, usa soluções alternativas: "É muito fácil quando se pode comprar material luxuoso. Neste ano, estamos usando 4 mil ripas de madeira da Ceagesp."

Know-how. A "migração" carioca se intensificou no início da década e contribuiu para o desenvolvimento dos desfiles no Anhembi, que chegou a ver esculturas recicladas, levadas do Rio, em anos menos criativos. Já os profissionais de Parintins vêm para São Paulo desde o fim dos anos 1990.

A Festa do Boi de Parintins, que ocorre no fim de junho, tornou a cidade amazonense um celeiro com mais de mil artistas disputados em carnavais de norte a sul do Brasil. São fortes até no Rio. Na capital paulista, recebem entre R$ 10 mil e R$ 30 mil por semestre. "Hoje devemos mais a Parintins do que ao Rio. Para o profissional deixar a Sapucaí e vir para São Paulo, tem de pagar mais", opina Marko Antônio da Silva, presidente da Tom Maior.

Os parintinenses inventaram as roldanas movidas a tração manual, mecanismo que permite dar movimento aos carros alegórico. Os artistas do Amazonas também são especializados em produzir peças gigantes, uma demanda dos desfiles em São Paulo. No Rio, por causa da arquitetura da Marquês de Sapucaí, a altura máxima dos carros é de 10 metros. Em São Paulo, podem chegar a 14.

"Foram 420 peças para o desfile, com a ajuda de 11 pessoas de Parintins", explica Francinaldo Guerreiro, coordenador de alegorias da Tom Maior que está há 13 carnavais em São Paulo. "É duro passar seis meses aqui, mas profissionalmente é importante", conta.

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