SP gasta R$ 30 mi e vende turismo em 8 Estados

SP gasta R$ 30 mi e vende turismo em 8 Estados

Nenhuma intervenção contra enchentes neste ano chega a esse valor; campanha já em veiculação cabe a 2 gigantes de mercado, com contratos estaduais

Diego Zanchetta, O Estadao de S.Paulo

30 Março 2010 | 00h00

Nos três primeiros meses deste ano, os dois maiores contratos assinados pela gestão do prefeito Gilberto Kassab (DEM) não foram nas áreas de Educação, Saúde ou Transporte, o "tripé" prioritário no Plano de Metas 2009-2012. Para divulgar a "São Paulo turística", o governo chamou, por R$ 30 milhões, duas gigantes publicitárias, ambas com contratos milionários já assinados com a administração estadual de José Serra (PSDB).

As contratadas são a Lew Lara, que por R$ 19 milhões já responde pela Sabesp, e a Propeg Comunicação, responsável por parte da divulgação da CPTM, por R$ 14 milhões. Os dois contratos semestrais com a Prefeitura, de R$ 15 milhões cada, feitos por meio de licitações, preveem a produção de vídeos, informativos e campanhas sobre a cidade que já circulam em oito Estados do País.

Os R$ 30 milhões da propaganda representam 10% do valor total, de R$ 133 milhões, de todos os novos contratos assinados pelo governo municipal desde janeiro, conforme indica o site De Olho nas Contas. Nenhuma intervenção licitada contra as enchentes que alagaram a cidade nos últimos meses, por exemplo, saiu tão cara quanto os dois contratos publicitários. O terceiro contrato de maior valor, para o fornecimento de produtos hospitalares, custou R$ 11,3 milhões.

Recorde. Até o fim do ano, Kassab pretende gastar a quantia recorde de R$ 126 milhões com publicidade. Esse montante, segundo o prefeito vem argumentando desde dezembro, será investido principalmente em campanhas de prestação de serviços, como no combate à dengue e em informações sobre a coleta de lixo. Os gastos com propaganda já haviam crescido de R$ 39 milhões, em 2008, para R$ 90 milhões, no ano passado.

Para o presidente da São Paulo Turismo S.A. (SPTuris), Caio Carvalho, o turismo também se enquadra como prestação de serviços, uma vez que o setor apresentou nos dois primeiros meses do ano um crescimento inédito de 37,5% no volume arrecadado somente em hospedagens na rede hoteleira, ante os dois primeiros meses do ano passado - salto de R$ 19,2 milhões para R$ 24,3 milhões, turbinado principalmente pela realização da prova inédita da Fórmula Indy, da Campus Party e do carnaval.

Até o fim do primeiro semestre, de acordo com Carvalho, o calendário paulistano terá a Virada Cultural (15 e 16 de maio) e a Parada Gay (6 de junho), o que torna necessária a divulgação da capital. "Nós fomos bombardeados pela mídia com o noticiário sobre as enchentes. E, mesmo assim, o início do ano teve um desempenho recorde. Com certeza será o melhor ano da história do turismo em São Paulo e precisamos fazer a divulgação do nosso calendário. Não é um gasto para divulgar o governo", argumenta o presidente da SPTuris.

Futebol e cultura. A agenda cultural e a gastronomia ainda se mantêm como os principais atrativos nas novas campanhas sobre a capital. No vídeo produzido pela Propeg, que já é veiculado no interior paulista, por exemplo, a música tem como refrão "O Brasil todo cabe em São Paulo". Também entram na peça, veiculada em emissoras de TV abertas, o Museu do Futebol e os jogos no Pacaembu. "O objetivo continua sendo manter o turista de negócios mais um dia na capital, para diversão. E o futebol entra como atrativo nesse contexto", explica Carvalho.

A média de permanência na cidade saltou de 2,5 dias, em 2006, para 3,8 dias, em 2009. No ano passado, a capital paulista faturou R$ 8,6 bilhões com turismo, um crescimento de 3,5% em relação ao ano passado. Os novos números sobre o turismo na capital devem ser divulgados somente amanhã pela SPTuris.

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