Nilton Fukuda/AE
Nilton Fukuda/AE

SP ganha contêineres para material reciclável

Sem fazer campanha nem informar população, Prefeitura instalou peças em ecopontos e áreas públicas; serão 1,5 mil até o fim do ano

Cristiane Bomfim - Jornal da Tarde,

13 de junho de 2012 | 22h30

SÃO PAULO - Sem campanhas educativas e sem informar os moradores, a Prefeitura de São Paulo está instalando Pontos de Entrega Voluntária (PEVs) de material reciclável em ruas, praças e entradas do metrô. Serão 1.500 contêineres verdes até o fim do ano, fechados, com cerca de 1,80 metro de altura e capacidade para 2.500 litros.

Os primeiros foram colocados em ecopontos e prédios públicos - como Centros Educacionais Unificados (CEUs), por exemplo. Desde maio, as grandes caixas verdes estão aparecendo em bairros residenciais, como na Rua São Serapião, na zona leste. Na frente da Estação Patriarca da Linha 3-Vermelha do Metrô também foram colocados dois PEVs no sábado.

"Colocaram as caixas e foram embora. Demorou um pouco para eu entender o que era", disse a atendente de pastelaria Marizete Cruz, de 38 anos.

"Não acredito que isso vá funcionar. É bom só para quem mora na frente deles. As pessoas não vão ficar carregando lixo para despejar nessas caixas. Ainda mais sem saber para que é. No começo eu achei que era um banheiro químico", disse o taxista César Machado, de 44 anos.

De acordo com a Autoridade Municipal de Limpeza Urbana (Amlurb), os PEVs estão sendo instalados pelas empresas Soma e Inova, responsáveis pela limpeza urbana da cidade. Cada uma instalará 750 unidades.

Os endereços serão preferencialmente "locais com grande fluxo e de fácil acesso ao público", que não atrapalhem a circulação de pedestres e permitam manobra de caminhões para retirada do material depositado.

Sempre que os contêineres estiverem cheios, todo o material será recolhido pelas duas empresas e levado para 20 centrais de triagem de recicláveis espalhadas na cidade.

Para a coordenadora do Fórum Lixo e Cidadania do Estado de São Paulo e integrante da Associação Brasileira de Engenharia Sanitária (Abes), Delaine Romano, a iniciativa é importante, mas não funciona sem educação ambiental. "A população precisa ser informada sobre essa nova possibilidade. Não existem campanhas educativas sérias e constantes sobre a reciclagem e as pessoas misturam o lixo orgânico ao reciclável. Não sabem a importância de separar", afirmou.

Delaine reclamou ainda que a quantidade de PEVs para uma cidade como São Paulo - com 11,3 milhões de habitantes - é pequena. "É pouco. Os contêineres deveriam ficar perto das casas. Também por falta de educação ambiental as pessoas nem sempre estão dispostas a andar longas distâncias com lixo", disse.

Estagnação. O pós-doutor em resíduos sólidos pela Unicamp e autor de 15 livros sobre o assunto, Maurício Waldman, lembra que também é preciso saber se as centrais de triagem vão dar conta do material recebido.

"A coleta seletiva de lixo na cidade está estagnada há anos. Não cresce. As pessoas só colaboram quando todo o sistema está organizado e quando sabem para onde vai o lixo. Sem campanha, sem organização, não adianta colocar os PEVs na cidade", explicou.

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