Patrícia Cruz/AE
Patrícia Cruz/AE

SP faz festa para o gosto de 4 milhões

Com atrações variadas e público diversificado, Virada Cultural teve menos problemas neste ano, mas lixo e bebida não desapareceram

Bruno Paes Manso, Jotabê Medeiros, Lucas Nobile, Roberto Nascimento e Maria Eugênia de Menezes, O Estado de S.Paulo

18 de abril de 2011 | 00h00

Mais de quatro milhões de pessoas de diferentes tribos, gerações e classes sociais se misturaram neste fim de semana no centro de São Paulo na 7.ª Virada Cultural. O número é da Prefeitura. Em noite de lua cheia e dia de sol, o evento apresentou 24 horas de atrações variadas, desde as 18 horas de sábado. O sambista Paulinho da Viola encerrou a maratona de shows às 18 horas de ontem, na República.

Houve problemas localizados na madrugada. Uma pessoa caiu do Viaduto Santa Ifigênia às 3 horas. A Polícia Militar trabalha com hipótese de suicídio. Outra pessoa foi ferida a faca em briga de punks e skinheads às 2 horas na Praça Julio Prestes - o encontro vinha sendo marcado pela internet desde a semana passada.

Mas, segundo o coronel Neroval Bucheroni, subprefeito da Sé, houve menos ocorrências policiais do que no evento do ano passado. A fiscalização contou com mais de 1.200 homens, somados aos 2.800 da Polícia Militar. "Atuamos principalmente para evitar a venda de bebidas por ambulantes. Com menos gente bêbada, houve menos confusão", disse Bucheroni.

Apesar do esforço na repressão ao álcool, na madrugada eram vendidas garrafas de vinho químico por R$ 5. Segundo o Instituto Adolpho Lutz, que analisou a bebida, foi detectado 96% de teor alcoólico no produto. Ontem, foram apreendidas 28 toneladas de mercadorias de camelôs - 80% eram vinho barato.

O lixo amontoado nas ruas se tornou mais evidente ao amanhecer. Até meio dia, os 3.300 funcionários da limpeza haviam coletado 140 toneladas de lixo - 10 toneladas eram de recicláveis.

Amanhecer. "Um vagabundo como eu também merece ser feliz." A letra de Giramundo parecia sob medida para dezenas de sem-teto que dançavam no Largo do Arouche, cada um em seu ritmo, carregando sacos de latinhas de cerveja amassadas e cobertores. Às 13 horas, era com o som do decano grupo jovem-guardista Os Incríveis que se acordava, definitivamente, uma São Paulo que ainda se espreguiçava nas praças do centro, após uma noite inteira de Re-Virada.

É de manhã que se vê a cara da Virada. Dois hippies que vendiam brincos de pena de pavão abraçavam efusivamente uma senhora de cabelo vermelho que andava pela Avenida São João segurando uma plaqueta: Camping Simplão. A garota com o pastel pingando óleo quente arrastava a mãe pelo meio da plateia. Um rapaz com um louva-a-deus no chapéu entregava cuidadosamente sua lata de cerveja ao velho, que agradecia fraternalmente.

Foi uma jornada memorável noite adentro. No Largo do Arouche, os anos 1980 pareceram reviver na madrugada com Ritchie e Marina Lima. Com Menina Veneno, Ritchie regeu o maior coral da Virada. Do Arouche ao Minhocão, todos cantavam. A duas quadras dali, na Alameda Barão de Limeira, o asfalto virava sertão com Anastácia, Dominguinhos, Flávio José, Almir Sater e Genival Lacerda - o maior salão de baile da Virada. Aos 70 anos, 56 de forró, Anastácia fez contundente discurso contra a discriminação dos nordestinos.

Às 16h10, a cantora Mart"nália subiu ao palco e abriu seu show com Zumbi, de Jorge Ben Jor. Em uma hora, a sambista empolgou a plateia com temas de sua autoria e do cancioneiro nacional, de nomes como Clara Nunes e, claro, de seu pai, Martinho da Vila. Às 18h30, com atraso de meia hora por problemas na passagem de som, o mestre portelense Paulinho da Viola fechou a 7.ª Virada Cultural na República, com Cristovão Bastos, o pandeirista Celsinho Silva e a Orquestra de Cordas de Curitiba. No repertório, Coração Leviano, Timoneiro, Nervos de Aço (de Lupicínio Rodrigues) e a antológica Foi um Rio que Passou em Minha Vida.

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