Gabriela Biló/Estadão
Gabriela Biló/Estadão

SP estuda tarifa zero para aluno pobre e aumento só para quem paga em dinheiro

Prefeitura pode, pela primeira vez, adotar três tarifas diferentes; quem usa bilhete único continuaria pagando R$ 3

Bruno Ribeiro, O Estado de S. Paulo

16 Dezembro 2014 | 03h00

SÃO PAULO - Terminada a auditoria das contas no sistema de ônibus da cidade de São Paulo, a Prefeitura estuda agora adotar, pela primeira vez, três tarifas diferentes para o transporte coletivo: estudantes de baixa renda teriam tarifa zero, usuários de bilhete único continuariam desembolsando R$ 3 e passageiros que pagam a viagem com dinheiro, na catraca, pagariam mais caro, a partir do ano que vem.

A decisão sobre essa nova forma de cobrança ainda não está tomada, mas a expectativa da gestão Fernando Haddad (PT) é de que seja batido o martelo ainda neste ano. 

A ideia de o reajuste, tido como inevitável, ser anunciado juntamente com um “pacote de bondades” já vinha sendo analisada há pelo menos um mês, mas só na semana passada, quando a empresa Ernst&Young terminou a auditoria das contas do sistema de transporte municipal, a proposta passou a ser estudada em detalhes.


Com o último reajuste ocorrido em janeiro de 2011, a tarifa de R$ 3 seria corrigida para R$ 3,70, caso o aumento tomasse como base a inflação acumulada no período - 23,2%. Para manter a passagem em R$ 3, a Prefeitura fez o subsídio pago às empresas de ônibus chegar a R$ 1,7 bilhão neste ano. A expectativa é de que esse valor permaneça igual no ano que vem.

O resultado da auditoria externa nas contas frustrou setores da gestão Haddad. Havia expectativa de que fosse descoberto um lucro das empresas perto dos 30%. Mas a chamada Taxa de Retorno Interno (TIR), índice usado para aferir contratos de empresas privadas com o setor público, revelou um índice de 18%. Mesmo assim, a avaliação é de que há “gordura a ser queimada”, reduzindo a remuneração das empresas para cerca de 7% a partir de 2015. 

Não foi confirmado se a proposta já foi apresentada para o governo do Estado, responsável pelo Metrô e pela Companhia Paulista de Trens Metropolitanos (CPTM). Na manhã desta segunda-feira, 15, em entrevista à Rádio Estadão, o secretário de Estado dos Transportes Metropolitanos, Jurandir Fernandes, afirmou que, por enquanto, ainda não há nenhum pedido vindo do governo Geraldo Alckmin (PSDB) para reajuste de tarifas.

Dinheiro. De 90 milhões de viagens por dia feitas nos ônibus, apenas 8% são pagas em dinheiro, segundo informações disponíveis no site de transparência da São Paulo Transporte (SPTrans), empresa da Prefeitura que gerencia a frota de ônibus. 

Os estudantes equivalem a 6% das viagens - mas o dado inclui todos, não só os de baixa renda. Além disso, cerca de 10% das viagens são feitas por passageiros que não pagam - na maioria, idosos. 

Mas, na prática, de cada três viagens de ônibus, uma é gratuita: são decorrentes da integração gratuita que dá direito a usar até três ônibus durante a viagem. 

Para garantir a circulação de todos os coletivos, a Prefeitura precisa de cerca de R$ 6 bilhões por ano. A arrecadação com venda de créditos do bilhete único é de pouco mais do que R$ 4 bilhões. Entretanto, parte dos valores precisa ser repassada ao Metrô e à CPTM, que mantém acordos de integração tarifária. 

Mais mudanças. Além de definir a nova tarifa, a Prefeitura deve anunciar, nos próximos dias, como será a licitação das empresas que vão operar os ônibus da cidade. Uma das alterações em estudo é o fim das cooperativas de lotações, transferindo toda as linhas para empresas regulares - a gestão Haddad pretende atrair companhias internacionais para o setor, hoje controlado por quatro famílias. / COLABOROU MÔNICA REOLOM

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