SP estuda intervenção em consórcio de ônibus

A Prefeitura de São Paulo estuda intervir no Consórcio Leste 4, grupo de empresas responsáveis pelo transporte de ônibus que ligam bairros da zona leste como São Mateus, Vila Carrão e Cidade Tirantes à região central. O motivo alegado são possíveis irregularidades e diversas dificuldades impostas aos milhares de usuários que utilizam as linhas.

Márcio Pinho, O Estado de S.Paulo

31 Março 2011 | 00h00

Uma das empresas do grupo, a Himalaia, chegou a ter uma greve de funcionários no começo de fevereiro. Cerca de 500 veículos, entre ônibus e trólebus, não circularam, afetando 180 mil pessoas, segundo a São Paulo Transporte (SPTrans), órgão da Prefeitura que administra o serviço coletivo. A paralisação só foi suspensa após a Justiça determinar que os grevistas seriam multados.

O governo municipal nomeou no Diário Oficial de ontem uma comissão preliminar que será responsável por fazer auditorias nos contratos e nas garagens da concessionária Consórcio Leste 4. Entre as várias considerações feitas pela Prefeitura para justificar a ação estão o fato de o serviço do consórcio não ter sido normalizado após a greve dos funcionários da Himalaia, a transferência de concessão sem anuência da Prefeitura, as inúmeras autuações feitas pelo setor de fiscalização da SPTrans, um relatório do Tribunal de Contas do Município (TCM) que aponta irregularidades e a ação civil pública instaurada pelo Ministério Público do Estado.

Segundo o promotor Saad Mazloum, autor da ação, superlotação, partidas não realizadas, ratos e baratas foram alguns dos problemas detectados em dois anos de levantamentos sobre o consórcio. "A situação é calamitosa", afirma.

A coleta de dados foi realizada com o suporte da internet, por meio do Blog do Ônibus (www.onibus.blog.br), endereço eletrônico criado em 23 de maio de 2009 que recebe críticas ao serviço de passageiros. Na ação, o Ministério Público pede o bloqueio de bens das empresas e de todos os sócios administradores e o pagamento de R$ 30 milhões por dano moral imposto aos passageiros dessas linhas de ônibus.

Outro lado. O Consórcio Leste 4 afirmou que não se pronunciaria sobre o tema.

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