SP estreia medição com ar bom em 7 das 14 estações

No primeiro dia da nova classificação com padrões mais rígidos, só um ponto teve situação ruim; ar seco, porém, trouxe desconforto

GIOVANA GIRARDI, MÔNICA REOLOM, O Estado de S.Paulo

11 Maio 2013 | 02h04

Com padrões mais rígidos de concentração de poluentes que a anterior, a nova classificação da qualidade do ar do Estado de São Paulo começou a ser informada ontem para a população. Mas, ao contrário do que se imaginava, foi registrado apenas um ponto com qualidade ruim, em Cubatão, no litoral. Das 46 estações meteorológicas, 22 apresentaram situação boa e 23, moderada. Na capital, o cenário foi parecido: em 7 estava boa e 7, moderada.

Apesar de os novos padrões serem mais restritivos - ao mudarem a concentração das substâncias a partir da qual se considera que elas podem afetar a saúde - e de a capital não registrar uma chuva forte desde o dia 14, as condições do ar ontem estavam favoráveis à dispersão dos poluentes.

Decreto do governador de 24 de abril definiu os novos padrões, mas foram necessárias algumas semanas para a Companhia Ambiental do Estado de São Paulo (Cetesb) atualizar os sistemas para analisar a qualidade do ar segundo os novos parâmetros. Via de regra, o que antes era bom agora pode não ser.

É o que foi observado na estação de Cubatão, conforme explica Maria Helena Martins, gerente da Divisão de Qualidade do Ar da Cetesb. Pelos padrões antigos, a condição de ontem seria considerada regular no local, em vez de ruim, segundo os novos parâmetros.

Na capital, essa mudança também foi observada em pelo menos duas estações, na de Congonhas e na Ipen/USP. Em ambas, a qualidade do ar seria considerada boa pelos antigos critérios e agora passou a moderada.

Maria Helena explica que é difícil comparar todos os pontos com os padrões antigos porque não só mudou a forma de classificar os poluentes como também a maneira de calculá-los.

Agora, por exemplo, entra nos cálculos da qualidade do ar a concentração do material particulado ultrafino (MP2,5). Isso era uma recomendação da Organização Mundial da Saúde, porque a substância é bastante danosa à saúde, uma vez que penetra diretamente nos pulmões.

Além de mudar a forma de classificar a qualidade do ar, entraram em vigor também metas de quanto o Estado deve ter de concentração desses poluentes (MP 10, MP 2,5, ozônio, monóxido de carbono, dióxido de nitrogênio e dióxido de enxofre).

Para ambientalistas ouvidos pela reportagem, o que falta agora é definir prazos para que eles sejam alcançados.

"O novo padrão é só um indicativo, mas ele não serve de controle. Só ele não resolve o problema da poluição", comenta Kamyla Borges Cunha, responsável pela área de Direito Ambiental do Instituto de Energia e Meio Ambiente, que acompanha a poluição do ar no Estado.

Secura. Se a qualidade do ar ontem não estava tão ruim na capital, o que diminuiu o conforto do paulistano durante o dia foi a sensação de secura.

De acordo com informações do Centro de Gerenciamento de Emergências (CGE), a umidade relativa do ar ficou em torno de 38% e a estimativa é de que o quadro pode piorar entre hoje e amanhã, podendo ficar entre 20% e 30%.

Abaixo de 30%, já é decretado estado de atenção, uma vez que essa situação traz riscos à saúde, como complicações alérgicas e respiratórias, sangramento do nariz, ressecamento da pele e irritação dos olhos. Também aumenta o potencial de incêndio em pastagens.

Nos próximos dias, a baixa umidade do ar deve piorar e se estender por períodos mais longos do dia por causa da falta de chuva. A previsão é de que chova apenas no final da próxima semana.

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