SP está rodeada de 13 cidades com ônibus a R$ 3,30

Para especialistas, tarifa da capital pode seguir valor escolhido em cidades como Osasco, Guarulhos e Santo André

CAIO DO VALLE, O Estado de S.Paulo

07 Janeiro 2013 | 02h40

Nos últimos dias, o preço da passagem de ônibus subiu em várias cidades da Região Metropolitana. Agora, São Paulo está no meio de um cinturão de municípios com tarifas padronizadas a R$ 3,30 - 10% mais caras do que na capital. Entre as que tiveram o aumento estão Guarulhos, São Bernardo do Campo e Osasco. Segundo avaliação de especialistas, poderá ser essa a tarifa adotada também na capital.

Congelado em R$ 3 há dois anos, desde 5 de janeiro de 2011, o bilhete da capital será reajustado neste ano, conforme já antecipou a gestão Fernando Haddad (PT). A medida evitaria a necessidade de elevar o subsídio a empresas e cooperados responsáveis pelo sistema de ônibus da capital, que consumiu, até junho do ano passado, R$ 772 milhões dos cofres públicos.

Os reajustes vêm acontecendo aos poucos na Grande São Paulo. Desde dezembro, das 38 cidades no entorno da capital, 13 reajustaram suas passagens para R$ 3,30. As últimas foram Santo André e Ribeirão Pires, no ABC paulista. Nessas cidades, o bilhete ficou R$ 0,40 mais caro desde a semana passada.

Em Jandira, Cajamar, Santana de Parnaíba e Osasco, o aumento ocorreu há aproximadamente um mês. Já São Caetano do Sul, Mauá, Guarulhos, Taboão da Serra, Itapevi e Barueri tiveram o reajuste ao longo de dezembro.

Tendência. O engenheiro Sergio Ejzenberg, mestre em Transportes pela Universidade de São Paulo (USP), vê uma "tendência" na adoção dos R$ 3,30 pela região. "A tarifa da capital está defasada há muito tempo. Estamos pagando um subsídio que, daqui a pouco, será bilionário."

O especialista explica que, desde 2011, gastos com mão de obra e combustível cresceram, encarecendo o serviço. "O que está acontecendo no entorno é um reflexo do que vai acontecer (na capital. Creio que sobe para isso (R$ 3,30) ou mais."

A Secretaria Municipal dos Transportes, no entanto, vem reiteradamente afirmando que ainda não sabe qual o porcentual do reajuste nem quando ele entrará em vigor. O governo estadual sugeriu que o novo valor passe a ser praticado na mesma data do aumento da passagem do Metrô e da Companhia Paulista de Trens Metropolitanos (CPTM).

Abuso. Quem já precisa pagar o preço reajustado dos ônibus reclama da subida do custo, que pode pesar no orçamento. A operadora de caixa Juliana Sora, de 34 anos, pega coletivos diariamente em Osasco para ir trabalhar. Desde dezembro, desembolsa R$ 3,30 por viagem. Antes, a tarifa custava R$ 3. Para ela, a qualidade do serviço não melhorou para justificar o aumento.

"É um absurdo, porque, quando você precisa dos ônibus, é uma dificuldade. Atrasam e vêm lotados. Agora, para cobrar mais, fazem isso rapidinho."

O diretor da Associação Nacional de Transportes Públicos (ANTP) Rogério Belda suspeita de que o reajuste na capital deve ocorrer em breve, pois não houve aumento no ano passado. "(O subsídio) Representa um peso muito grande no orçamento da Prefeitura." Para ele, a cidade poderia copiar a tarifa de suas vizinhas, mas isso não necessariamente precisa acontecer. "Aliás, no passado, era o contrário. Elas é que esperavam o reajuste na capital para copiá-lo."

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