'SP está deixando de ser terra da garoa para virar Deserto do Saara'

Quando a umidade do ar atinge níveis críticos como os de ontem, o nariz tem de "se sacrificar" pelo bem de todo o corpo, afirma o médico Paulo Saldiva, especialista em poluição atmosférica. Isso porque o ar que chega até o pulmão precisa estar com uma umidade relativa de quase 100% para que o organismo consiga absorver o oxigênio e liberar o gás carbônico de forma adequada.

Karina Toledo, O Estado de S.Paulo

25 de agosto de 2010 | 00h00

Esse trabalho de condicionamento do ar é feito pelo nariz. "Com isso, as vias aéreas se ressecam, as secreções ficam mais espessas e fica mais difícil para o organismo se livrar dos vírus e das bactérias." Para piorar, a falta de chuva faz o ar ficar empoeirado, com partículas suspensas que irritam o nariz e a garganta.

Saldiva atribui a baixa umidade principalmente às mudanças que ocorreram na ocupação do solo na capital. "Algumas regiões da cidade, como Itaquera e Guaianases, têm menos cobertura vegetal que o semiárido nordestino. Estamos deixando de ser a terra da garoa para virar o Deserto do Saara", diz.

Já Morgana Almeida, do Instituto Nacional de Meteorologia, diz que é cedo para falar em mudança climática. "Para afirmar isso seria preciso fazer um estudo muito amplo." Ela, no entanto, reconhece que houve mudanças no chamado "microclima" da cidade, causadas, por exemplo, pela expansão dos edifícios.

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