SP é o 4º melhor destino para gays no mundo

Pesquisa mostra que público vem atrás de compras e entretenimento; Tel-Aviv ficou em 1º

FABIANO NUNES /, JORNAL DA TARDE, O Estado de S.Paulo

24 de fevereiro de 2012 | 03h03

Uma pesquisa do portal GayCities.com, em parceria com a companhia aérea American Airlines, aponta São Paulo como um dos melhores destinos gay friendly - receptivo ao público LGBT - em todo o mundo. A capital paulista aparece em quarto lugar, com 6% dos votos. Tel-Aviv (43%), em Israel, ficou no topo da lista.

Nova York (14%), nos Estados Unidos, ficou em segundo lugar. Em seguida, vem Toronto (7%), no Canadá. Madri e Londres ficaram em quinto lugar, com 5% dos votos.

A pesquisa também avaliou outros oito quesitos das cidades, entre eles melhor gastronomia, moda e vida noturna. São Paulo foi citada novamente no quesito "Cidade do Orgulho Gay". Ficou em segundo lugar, com 12% dos votos, atrás de São Francisco, nos Estados Unidos, que liderou a lista, com 29% das citações.

O dado é reflexo da Parada Gay. Para Fernando Quaresma, presidente da Associação da Parada do Orgulho GLBT, o evento, que neste ano fará sua 16.ª edição, teve grande importância para destacar a cidade. "Além de trazer um grande número de turistas, a parada fez a cidade discutir um tratamento igualitário para a questão da homossexualidade", afirmou Quaresma.

"O ramo da hotelaria e de alimentação se preparam cada vez melhor para receber esse público. Só no ano passado, cerca de quatro milhões de pessoas estiveram na Paulista para acompanhar o evento", disse.

De acordo com pesquisa do Observatório do Turismo da Cidade da SPTuris, 49,8% dos participantes vieram de outros Estados e 2,1% desse total são estrangeiros. Boa parte dos turistas de outros países é dos Estados Unidos, Inglaterra, África do Sul e Itália. "A Parada Gay é um dos grandes eventos da cidade. A semana do evento é quando as casas noturnas voltadas para esse público registram seu maior movimento", disse Quaresma.

A Associação Brasileira de Turismo para Gays, Lésbicas e Simpatizantes (Abrat-GLS) aposta que o roteiro cultural de São Paulo também é um dos grandes atrativos para homossexuais. "A cidade é repleta de museus, teatros e cinemas. E o público gay tem uma ligação forte com essa vida cultural", disse Douglas Magri, diretor financeiro da órgão.

A pesquisa feita pela SPTuris, com o público que esteve durante a parada LGBT 2011, mostra que os turistas gays são atraídos principalmente pelo entretenimento e pelas compras. E, apesar de a cidade ainda não oferecer nenhum hotel exclusivo, os participantes avaliaram que a rede hoteleira está bem preparada para recebê-los.

No entanto, lembra o presidente da Parada Gay, é preciso combater os ataques que os homossexuais sofrem na região da Avenida Paulista. "Esses ataques querem prejudicar a imagem da Parada, que sempre foi um evento pacífico. Ainda precisamos avançar na aprovação da lei contra a homofobia", disse Quaresma. O projeto de autoria da ex-deputada Iara Bernardi (PT-SP) tramita há 10 anos no Congresso.

A ideia da lei é modificar a Lei de Racismo, para criminalizar também os atos de homofobia, estendendo a eles as mesmas punições impostas aos crimes de preconceito racial. O projeto pune com reclusão de 1 a 3 anos condutas discriminatórias como recusar o atendimento a gays em bares e restaurantes e reprimir trocas de afeto em locais públicos, como beijos ou abraços.

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