SP desiste de desativar bases da PM nas rodovias

Medida foi tomada depois de secretário da Segurança ler reportagem do 'Estado'

JOSÉ MARIA TOMAZELA, SOROCABA, O Estado de S.Paulo

03 Maio 2013 | 02h06

O secretário da Segurança Pública do Estado de São Paulo, Fernando Grella Vieira, barrou ontem o plano da Polícia Militar de desativar 62 das 129 bases de policiamento rodoviário em estradas estaduais. As unidades fixas seriam substituídas por bases comunitárias móveis e patrulhas volantes. O projeto foi revelado pelo Estado, em reportagem publicada na edição de quarta-feira. Estava previsto o fechamento de 21 bases em rodovias administradas pelo Departamento de Estradas de Rodagem (DER) e 41 em estradas sob concessão.

O secretário anunciou ainda que vai reforçar o policiamento rodoviário com parte dos 2.369 soldados que serão admitidos em concurso já autorizado pelo governador Geraldo Alckmin (PSDB).

A desativação das bases havia sido confirmada em ofício enviado à Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp) pelo chefe de gabinete do Comando da Polícia Militar, coronel José Luiz Sanches Valentin, em resposta a requerimento do deputado Hamilton Pereira (PT). De acordo com o oficial, o objetivo da medida seria usar o efetivo lotado nas bases para tornar o policiamento rodoviário mais ostensivo e com maior mobilidade, reduzindo o "tempo de resposta" aos usuários das rodovias.

Valentin informava ter sido proposta a compra de veículos policiais do tipo base comunitária móvel para suprir as demandas operacionais decorrentes da desativação das bases fixas. Das 139 rodovias estaduais, apenas 45 têm bases operacionais em estruturas pertencentes ao DER e às concessionárias das rodovias. "Verifica-se a necessidade de readequação e aplicação de novas formas de gestão que possibilitem melhorar os padrões de atendimento ao cidadão", justificava o oficial da PM.

Reações. A notícia da desativação das bases causou mobilização no interior. A Câmara de Lençóis Paulista, por exemplo, aprovou uma moção dirigida ao governador pedindo que a unidade instalada na Rodovia Marechal Rondon fosse poupada. "O governo municipal e alguns empresários investiram para colocar essa base em operação", disse o vereador Anderson Prado (PV). Em Presidente Alves, foi aprovado pedido de informações à Secretaria da Segurança Pública.

Políticos se mobilizaram também na região de Araçatuba, onde unidades de Andradina, Penápolis e de Araçatuba seriam fechadas. A prefeitura de Itararé obteve a confirmação de que a base existente na divisa com o Paraná seria mantida por estar em "local estratégico".

O deputado Pereira comemorou o que considerou um recuo do governo. "Seria um absurdo se essa ação se concretizasse. Os policiais rodoviários prestam grande serviço." O representante comercial André Luis Guedes Ribeiro, que havia criticado a desativação, disse que o recuo é uma boa notícia. "Se ainda aumentar o policiamento, aí é boa notícia em dobro."

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