SP avalia proposta de faixa exclusiva para táxi

Ideia foi lançada por urbanista Jaime Lerner em reunião do Conselho de Trânsito e Transporte, mas corredor de ônibus é prioridade da gestão

CAIO DO VALLE, O Estado de S.Paulo

20 Dezembro 2013 | 02h06

No futuro, a cidade de São Paulo poderá ganhar faixas exclusivas para táxis. A proposta foi apresentada ontem pelo arquiteto e urbanista Jaime Lerner, um dos pioneiros na criação de corredores exclusivos para ônibus no mundo, durante reunião do Conselho Municipal de Trânsito e Transporte, na região central. O secretário dos Transportes, Jilmar Tatto, disse que simpatizou com a ideia, explicando que ela poderia ser estendida a outros veículos, como ônibus fretados.

"É uma coisa que me ocorreu no momento, precisa ser conferida", afirmou Lerner, responsável pela criação, quando foi prefeito de Curitiba, do sistema de BRT (bus rapid transit, na sigla em inglês) da capital paranaense, em 1974. O modelo se tornou referência internacional.

Contudo, a alternativa de ceder as faixas apenas para os táxis só seria colocada em prática depois da construção de corredores para ônibus à esquerda nas vias onde já existem as faixas, que ficam à direita. Assim, essas faixas, que hoje são usadas só pelos coletivos, poderiam ter o uso transferido para os táxis. Atualmente, os taxistas não podem usar as faixas à direita, somente os corredores. Neste ano, a Prefeitura intensificou a instalação de faixas exclusivas para os ônibus na cidade, que tem 34 mil táxis.

"É uma ideia. Eu fiquei simpático com essa ideia. Mas, veja, ao mesmo tempo surpreso, porque é um avanço você usar (as faixas para) o táxi ou para quem tem mais de uma pessoa no carro ou o fretamento", afirmou Tatto. Ele destacou ainda que será preciso analisar o viário para ver se comporta esse tipo de concepção.

Polêmica. A medida entra em discussão na semana em que o Ministério Público Estadual (MPE) deu um prazo de 45 dias para que a Prefeitura proíba a circulação de táxis nos corredores de ônibus. Uma recente pesquisa do próprio governo municipal indica que os táxis prejudicam o deslocamento dos ônibus, deixando-os 25% mais lentos. Com isso, agravam-se problemas da superlotação e da demora dos coletivos nos corredores exclusivos.

Os taxistas, porém, não querem perder o direito de transportar seus passageiros pelos corredores, alegando que isso impactaria perda de clientela. Se a gestão Fernando Haddad (PT) seguir a recomendação do MPE, os sindicatos do setor podem promover carreatas como a da última segunda-feira, que seguiu até a sede da Prefeitura, no centro.

Caso Haddad não acolha o que sugeriu o MPE após o prazo de 45 dias, a Promotoria de Habitação e Urbanismo entrará com uma ação civil pública contra a administração municipal.

Uma nova reunião do Conselho de Trânsito e Transporte foi agendada para o dia 15 de janeiro para discutir especificamente a questão da circulação dos táxis nos corredores de ônibus.

Ontem, o taxista Jorge Spínola, da Associação de Rádio Táxi de São Paulo (Artasp), defendeu que a Prefeitura da capital adote um meio-termo, caso haja proibição aos táxis. "Poderiam permitir a circulação nos corredores fora dos horários de pico, por exemplo", argumentou Spínola.

Tatto, por sua vez, reforçou o apoio ao transporte coletivo. "Andar de ônibus na cidade de São Paulo é uma coisa boa, faz bem", disse, acrescentando que anda de coletivos "quase todos os dias".

Pontualidade. O secretário também declarou que outra ideia de Lerner será colocada em prática pela Prefeitura. Trata-se de uma operação controlada no sistema de ônibus, para que os passageiros possam saber a hora exata em que os coletivos passarão pelos pontos de ônibus de algumas faixas e corredores da cidade. Ainda não foi definido quais vias serão contempladas.

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.