SP apresenta ônibus a etanol e Kassab pede 10 veículos em 2008

Prefeito da capital paulista encarrega secretários municipais de negociarem ônibus para a cidade

Giuliana Vallone, do estadao.com.br,

23 de outubro de 2007 | 19h10

A Universidade de São Paulo (USP) apresentou nesta terça-feira, 23, o primeiro ônibus movido a etanol a circular na capital paulista. O veículo será testado em um corredor da Empresa Metropolitana de Transportes Urbanos de São Paulo (EMTU/SP) a partir de dezembro, mas o prefeito da cidade, Gilberto Kassab, avisou que quer pelo menos dez ônibus rodando na cidade já no ano que vem. Veja também:  Ônibus movido a etanol precisaria de incentivos fiscais em SP  Em sua rápida passagem pela apresentação do veículo, o prefeito afirmou que "o projeto vem ao encontro das diretrizes da prefeitura", e encarregou os secretários municipais de Transporte e do Meio Ambiente, Alexandre de Moraes e Eduardo Jorge, de tratar das negociações para viabilizar o pedido. Segundo ele, existe uma preocupação do paulistano em combater todos os tipos de poluição, tanto visual, quanto ambiental e da água. O veículo faz parte de uma ação global denominada BEST (BioEthanol for Sustainable Transport), que é de iniciativa da prefeitura de Estocolmo, na Suécia, e tem o apoio da União Européia. Além de São Paulo, outras nove cidades do mundo, entre elas Londres, Madri, Munique e Dublin, participam do projeto, que aqui será coordenado pelo Centro Nacional de Referência em Biomassa (Cenbio), órgão ligado à USP e ao Ministério da Ciência e Tecnologia. Para tornar a circulação dos dez ônibus em 2008 possível, o presidente da União da Indústria de Cana-de-Açúcar (Unica_, Marcos Jank, afirmou que, se a prefeitura comprar os veículos, a instituição se compromete a abater o sobrepreço que ainda existe na utilização do etanol no lugar do diesel. Assim, não haveria custo adicional na implementação da tecnologia.  "Com os dez ônibus rodando, será possível estudar melhor os resultados para, então, quem sabe, implementá-la em todos os 15 mil ônibus da frota da cidade", disse Moraes. Perguntado sobre se a prefeitura poderia exigir das concessionárias a utilização dos veículos movidos a etanol, afirmou que a possibilidade existe. "Ao final de um ou dois anos de teste, nós estaremos quase no término dos contratos com os permissionários e concessionários", disse. "Se houver uma boa receptividade, se melhorar o meio ambiente, nós poderemos colocar isso como exigência a partir da próxima licitação."  O ônibus será testado no corredor Jabaquara-São Matheus, com parada em nove terminais e atendimento em quatro municípios. Haverá sempre um ônibus a diesel na mesma linha e horário para a comparação dos veículos. Meio ambiente O veículo movido a etanol tem como uma das principais vantagens a melhoria das condições ambientais. Além de ser um produto brasileiro, o álcool de cana-de-açúcar rende mais e polui menos que outros biocombustíveis produzidos no mundo, como o etanol de milho, dos Estados Unidos. Enquanto a cana consegue produzir entre 6 mil e 7 mil litros por hectare, o milho rende entre 2 mil e 3 mil litros. Além disso, a emissão de gases poluentes é muito menor no caso do etanol brasileiro. Na comparação com o diesel, o álcool lança até 90% menos material particulado no ar, o que melhora a qualidade do ar. Jank, da Unica, afirma que, substituindo mil ônibus movidos a diesel por mil que utilizam o etanol, é possível ter uma economia de emissão de CO2 de 96 mil toneladas, ou o equivalente à emissão de 15 mil automóveis. Além disso, os veículos a etanol emitem 92% menos monóxido de carbono (CO) no ar. Durante a apresentação do ônibus, o professor dr. José Roberto Moreira, presidente do Conselho Gerenciador do Cenbio ressaltou que a produção de cana-de-açúcar no País não prejudica a plantação de alimentos, nem desmata a Amazônia. Com a ajuda de mapas e gráficos, Moreira mostrou que a plantação de cana está concentrada na Região Sudeste do Brasil, longe, portanto, da Floresta Amazônica.

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