SP ainda tem convívio difícil com skate

O segundo esporte mais praticado da cidade causa conflitos e insegurança até em pistas exclusivas nos condomínios da capital

VALÉRIA FRANÇA, O Estado de S.Paulo

06 de maio de 2012 | 03h04

Normalmente, só o deslizar das rodinhas já faz barulho e causa reclamações de vizinhos. Quando chega a hora das manobras radicais, o estardalhaço aumenta. O skate é o segundo esporte mais praticado em São Paulo, atrás do futebol. Está presente em pistas, praças, parques e, na maioria das vezes, causa polêmicas e discussões sobre segurança. De um lado, os skatistas; de outro, os não praticantes que temem pela integridade física.

A Prefeitura tentou tirar o esporte da rua, construindo e reformando espaços para transformá-los em pistas - hoje, são cem. Algumas estão nos Centros de Educação Unificados (CEUs), outras em praças, equipadas com street, bowl em formato de 8 e rampa. Fora desses pontos, os problemas continuam.

"É um esporte muito agressivo", diz Karol Annes, de 46 anos, representante da Associação dos Moradores e Amigos do Jardim Lusitânia (Sojal) no Conselho Gestor do Parque do Ibirapuera, na zona sul. "Todo fim de semana há ocorrências de acidentes graves."

Desde o dia 14 de abril, os skatistas têm espaço liberado no Ibirapuera de segunda a sexta-feira, das 6 horas à meia-noite, mas aos sábados, domingos e feriados houve uma restrição: não podem andar ali das 12 às 18 horas. Isso vale para a Ladeira da Preguiça, com 30 metros de extensão. "A restrição piorou o problema, porque agora eles estão espalhados por todos os lados, aumentando o risco de acidentes com crianças e idosos", diz Karol.

Prédios. Em condomínios de luxo, as pistas de skate surgem como um atrativo de venda. O equipamento é visto como um meio de tirar o adolescente da rua e tê-lo sob vigilância. Mas problemas já têm aparecido.

O síndico do Golf do Forte de Osasco, Daniel Goldfinger, onde há um bowl para manobras, diz que entre as preocupações está a integridade física dos skatistas. "Nem todos usam capacete e joelheira. Os pais saem para trabalhar e a criançada fica sozinha. É muito fácil se machucar."

Outro problema é a presença de estranhos no condomínio, atraídos pelo esporte. "Há um ano, a pista era cheia. Mas a maior parte dos skatistas não era do condomínio, era das redondezas", diz Goldfinger. "O condomínio começou a ficar muito inseguro, então endureci as regras e proibi visitantes de usar equipamentos de lazer." O síndico tentará aprovar em assembleia que a pista ganhe outro uso.

Para o skatista e arquiteto Vinicius Patriol, de 36 anos, o esporte tem, porém, a capacidade de agregar gente de estilos de vida e classes sociais diferentes. "Esse foi um esporte que foi marginalizado desde que chegou ao Brasil na década de 1970", lembra Patriol, que anda de skate há mais de 20 anos.

Patriol, que trabalhou na organização da Copa Sampa Skate, realizada ontem com a participação de 25 mil skatistas, diz que a alternativa para o preconceito é mostrar que esporte não é marginal, mas inclusivo. O evento de ontem foi promovido pela Secretaria Municipal de Esportes, Lazer e Recreação no Parque da Independência, zona sul.

A segurança, diz Patriol, também preocupa os administradores do parque. Apesar de não ter pistas, o local recebe muitos praticantes de downhill, que consiste em descer longas ladeiras sobre rodinhas. Mas o praticante tem de usar capacete.

Na Copa de ontem, para deixar a pista mais atraente, Patriol colocou elementos que copiam o mobiliário urbano, como canos imitando o corrimão de escadas. "O evento mostra campos de trabalho que têm a ver com o esporte", diz Patriol. "Poucos vivem só de andar de skate."

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