SP ainda está longe do nível civilizado de violência

Análise: Bruno Paes Manso

O Estado de S.Paulo

28 de fevereiro de 2012 | 03h04

Estar abaixo da taxa de 10 homicídios por 100 mil habitantes virou ponto de honra para as autoridades. Citando a Organização Mundial de Saúde (OMS), afirma-se que locais com taxas acima de 10 assassinatos por 100 mil habitantes se defrontam com situações epidêmicas. São Paulo encontra-se no limite desse estágio, com 9,99 homicídios por 100 mil habitantes, acumulando uma redução de 72% nos últimos 12 anos. No Brasil, a taxa é de 22,3 por 100 mil.

Essa taxa de 10 casos por 100 mil habitantes foi retirada especificamente de um livro de Bernardo Kliksberg e Amartya Sen, cujo título em português é As Pessoas em Primeiro Lugar.

Segundo o livro, países com taxas de 0 a 5 homicídios por 100 mil habitantes vivem situação de normalidade, com a população confiando nas instituições que mantêm a lei e a ordem. Com taxas de 5 a 10, quebra-se a normalidade. São cidades em que a população já tem de conviver com territórios sem lei, onde não se pode frequentar normalmente. Já as cidades com média acima dos 10 casos por 100 mil, para os autores, perderam o controle da situação - suas instituições da lei e da ordem precisam passar por mudanças.

Apesar do sucesso das políticas de redução de homicídios no Estado, portanto, as taxas de violência em São Paulo ainda exigem preocupação. Os patamares civilizados de países pacificados estão na casa de 1 a 2 casos por 100 mil habitantes, que estamos longe de alcançar.

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